Ao completar 50 anos de fundação, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, localizado em Caboto, município de Candeias, inicia uma nova fase com obras de restauração financiadas pelo Prodetur Nacional Bahia e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O investimento de R$ 27 milhões contempla a recuperação do casarão, da fábrica, da capela, do atracadouro e da área urbanística, integrando o conjunto de ações voltadas à revitalização da Baía de Todos-os-Santos.
O museu ocupa o antigo Engenho Freguesia, construído no século XVI, e preserva um acervo de mais de 200 peças históricas e achados arqueológicos ligados ao ciclo do açúcar. Tombado pelo IPHAN e administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), o casarão de quatro andares e 55 cômodos se tornou referência arquitetônica e cultural para a Bahia e para o Brasil.
Segundo o secretário estadual de Turismo, Fausto Franco, o projeto alia turismo náutico e cultural, garantindo infraestrutura adequada para a navegação e atracação de barcos e possibilitando novos investimentos em restaurantes, hotéis e artesanato na região.
Integração com a comunidade
O diretor-geral do IPAC, João Carlos de Oliveira, destacou que o novo atracadouro será fundamental para transformar o museu em um espaço autossustentável, capaz de receber grandes eventos. A iniciativa, contudo, não se limita ao aspecto turístico: foram promovidas reuniões com as comunidades de Caboto, Passé e Ilha de Maré, resultando em atividades socioculturais e educativas.
A quilombola Ernandes Carlos Lopes, de 77 anos, ressaltou o impacto simbólico do projeto: “Enquanto quilombola e lembrando de todo o sofrimento que nossos antepassados viveram, posso dizer que é um orgulho participar desse projeto que é fundamental para todo o Recôncavo”.
Geração de emprego e mão de obra local
O projeto também fortalece a economia regional. Dos 146 trabalhadores contratados, 110 pertencem a comunidades do entorno, como Candeias, Ilha de Maré e Passagem dos Teixeiras. Muitos foram promovidos e passaram a atuar em funções técnicas de restauro.
De acordo com o arquiteto responsável, Sérgio Mehlen, além dos empregos diretos, o impacto é ampliado por meio de locação de casas e serviços locais, gerando renda para moradores. O coordenador de restauro, Cristiano Lopes, destacou que parte dos trabalhadores aprendeu técnicas de conservação, ampliando suas qualificações profissionais.
Restauro e arqueologia
O processo de restauração envolve especialistas em museologia e arqueologia. Achados como fragmentos de cerâmica, porcelanas, vidros e metais estão sendo catalogados pela equipe da Arqueólogos Pesquisa e Consultoria Arqueológica, sob coordenação de Railson Cotias.
Os materiais coletados serão analisados e acondicionados no Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UNEB, em Senhor do Bonfim, podendo futuramente integrar a reserva técnica do museu.
A importância histórica do Engenho Freguesia
Construído em terras doadas por Mem de Sá, o antigo engenho foi palco de invasões holandesas em 1624 e prosperou como centro açucareiro até o século XIX. Em 1971, o espaço foi transformado em museu, recebendo o nome de José Wanderley de Araújo Pinho (1890-1967), ex-deputado federal e pioneiro na defesa do patrimônio histórico nacional.









