Os documentos recebidos sobre a propriedade dos mais 200 mil metros cúbicos de madeira extraída, em uma das maiores apreensões do país, eram fraudulentos e escondiam um processo de grilagem de terras. A afirmação é do delegado da Polícia Federal (PF) Alexandre Saraiva, responsável por denunciar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao STF. Nesta segunda-feira (26/04/2021), Saraiva deu mais detalhes sobre o que consta na notícia-crime à Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, atendendo a um requerimento dos deputados federais Joseildo Ramos (PT-BA) e Paulo Teixeira (PT-SP). De acordo com ex-superintendente, o ministro visitou o local da apreensão da Operação Handroanthus, “de 40 mil toras, olhou duas e disse que conferiu”, desacreditando no processo de fiscalização de um agente público e atestando a legalidade das ações dos madeireiros. “Nós temos mais de 70% da madeira apreendida sem dono. Como o ministro do Meio Ambiente pode dizer que está tudo certo e a operação da Polícia Federal está errada?”, questionou.
Um dos requerentes da audiência, o deputado federal Joseildo Ramos (PT-BA) afirmou que as evidências apresentadas por Saraiva confirmam a atuação de Salles para inviabilizar a investigação de um crime de grandes dimensões de extração de madeira ilegal, uma ação que se sustenta pelas desestruturações orçamentária, normativa e de fiscalização que estão sendo realizadas em paralelo pelo Estado brasileiro, dificultando a contenção de crimes ambientais e a preservação da Amazônia Legal. “Todos lembram daquela fatídica reunião ministerial em que, há um ano, o ministro Ricardo Salles colocou que a pandemia deveria ser aproveitada para, com medidas infralegais, passar a boiada. É um réu previamente confesso”, argumentou o parlamentar.
Ainda de acordo com Joseildo, para além da destruição ambiental, a escuta do delegado pelo Parlamento foi necessária por haver uma suspeita de abuso de autoridade, uma vez que o ex-superintendente foi exonerado logo após cumprir sua atividade policial reportando as irregularidades ao Supremo Tribunal Federal. “O ministro Ricardo Salles é funcionário público e, se no cumprimento do seu mandato, o braço forte do Estado brasileiro integra uma organização criminosa, nós não podemos pactuar com isso. Por isso, estamos escutando o delegado”, afirmou.

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