O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado dedicou seis anos a explorar a região amazônica, documentando a vastidão da floresta, dos rios e das montanhas para compor seu mais recente livro, Amazônia. Ao longo dessas expedições, Salgado buscou capturar a grandiosidade da maior floresta tropical do mundo e destacar a importância de sua preservação. Segundo ele, a Amazônia representa “a última fronteira”, um espaço único e misterioso onde a força da natureza se manifesta de forma singular.
A Amazônia é considerada por Salgado como o maior laboratório natural do planeta. Ele destaca a diversidade biológica da floresta, que abriga cerca de um décimo de todas as espécies de plantas e animais existentes no mundo. Além de fotografar a paisagem e os ecossistemas amazônicos, Salgado voltou seu olhar para os povos indígenas da região, registrando o cotidiano de mais de uma dúzia de tribos. As imagens incluem cenas de caça, pesca, danças e rituais, oferecendo um retrato das culturas que vivem em profunda conexão com o ambiente natural.
“Para mim, é a última fronteira, um misterioso universo próprio, onde o imenso poder da natureza pode ser sentido como em nenhum outro lugar da Terra”, diz.
“Aqui está uma floresta que se estende ao infinito que contém um décimo de todas as espécies de plantas e animais vivas, o maior laboratório natural único do mundo”, afirma.
Nascido em 1944, Sebastião Salgado começou sua carreira como economista, mas em 1973 decidiu seguir o caminho da fotografia. Ele atuou em missões internacionais para diversas agências de fotografia, até que, em 1994, fundou a Amazonas Images, agência criada em parceria com sua esposa, Lélia Wanick Salgado. A organização se tornou um ponto de apoio fundamental para a distribuição e organização de seus projetos, permitindo que Salgado realizasse grandes expedições e exposições internacionais, sempre com foco em questões sociais e ambientais.
Ao longo das décadas, as fotografias de Salgado foram exibidas em importantes museus e galerias ao redor do mundo, e seus trabalhos foram publicados em livros que se tornaram marcos na fotografia contemporânea. Seu mais recente livro, Amazônia, publicado pela editora Taschen, compila anos de registros fotográficos realizados na floresta. A obra destaca tanto a beleza da paisagem quanto a fragilidade de um ecossistema ameaçado pelo desmatamento e outras formas de degradação ambiental.
Salgado tem se posicionado publicamente em defesa da Amazônia e de seus povos. Durante o processo de produção de Amazônia, o fotógrafo enfatizou a necessidade urgente de proteger a floresta, não apenas para preservar sua biodiversidade, mas também para garantir a sobrevivência das culturas indígenas que vivem em harmonia com esse ambiente. Para Salgado, a Amazônia é mais do que uma paisagem; ela é um símbolo de resistência e de vida. Em suas palavras, “a Amazônia deve viver”, um apelo direto à ação contra as ameaças ambientais que a região enfrenta.
O compromisso de Salgado com a preservação ambiental não se limita à sua fotografia. Ele também cofundou o Instituto Terra, uma organização dedicada ao reflorestamento da Mata Atlântica no Brasil, que já plantou milhões de árvores em áreas degradadas. Assim, sua obra e suas ações são uma extensão de sua crença no papel que o ser humano pode desempenhar na regeneração do meio ambiente.
Em suas declarações sobre Amazônia, Salgado expressa o desejo de que, daqui a 50 anos, o livro não seja visto como o registro de um mundo perdido. A esperança é que a floresta continue a existir, intocada e protegida, para as futuras gerações.
“Meu desejo, com todo meu coração, com toda minha energia, com toda a paixão que possuo, é que em 50 anos este livro não se pareça com o registro de um mundo perdido”, finaliza.
Seu trabalho é um lembrete constante da necessidade de agir em prol da preservação, não apenas da Amazônia, mas de todos os ecossistemas que sustentam a vida no planeta.
Confira imagens de Sebastião Salgado registradas na Amazônia
*Com informações da BBC News.









