Jair Bolsonaro insultou grande parte do mundo, diz reportagem do Washington Post; Extremista declarou guerra contra a ciência, a medicina, o bom senso e a vida

Extremista Jair Bolsonaro é alvo de críticas em matéria do jornal estadunidense The Washington Post.
Extremista Jair Bolsonaro é alvo de críticas em matéria do jornal estadunidense The Washington Post.

O jornal estadunidense The Washington Post publicou reportagem, na sexta-feira (30/04/2021), afirmando que o presidente Jair Bolsonaro “insultou grande parte do mundo” e que “agora o Brasil precisa da ajuda internacional”.

A publicação comparou a Índia com o Brasil: “Dois países em desenvolvimento, enormes em população e geografia, dominados por surtos devastadores de coronavírus”.

Segundo o jornal, “para a Índia, que tem com taxas recordes de infecção, o mundo respondeu. Mas para o Brasil, que enterrou cerca de 140 mil vítimas pelo coronavírus nos últimos dois meses, a resposta internacional foi mais silenciosa”.

“O contraste entre a forma como a comunidade internacional abordou as crises na Índia e no Brasil mostra como as crescentes lutas diplomáticas de Brasília complicaram a resposta do país ao coronavírus. A imagem internacional que passou décadas cultivando foi minada por um presidente cujo governo insultou grande parte do mundo no momento em que o Brasil mais precisava de sua ajuda”.

A reportagem do The Washington Post entrevistou o cientista político Mauricio Santoro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que disse: “O mundo inteiro está tentando ajudar a Índia, mas o Bolsonaro se tornou um problema tão internacional que ninguém o ajudará […] ninguém está falando em ajudar muito o Brasil”.

Confira trechos da matéria do The Washington Post

“O que está acontecendo no Brasil é uma tragédia que deveria ter sido evitada”, disse um parlamentar europeu ao embaixador brasileiro em audiência este mês. “Mas esta [é uma] tragédia baseada em decisões políticas erradas”.

“Em vez de declarar guerra contra o coronavírus”, disse outro, “Bolsonaro declarou guerra contra a ciência, a medicina, o bom senso e a vida”.

A imagem internacional que passou décadas cultivando – com foco ambiental, amigável, multilateral – foi minada por um presidente cujo governo insultou grande parte do mundo no momento em que o Brasil mais precisava de sua ajuda.

Bolsonaro, um nacionalista de extrema direita que chegou ao poder investindo contra o globalismo, acusou países europeus ambientalmente inclinados de colonialismo e desmatamento ilegal. Ele ampliou uma postagem na mídia social depreciando a aparência da esposa do presidente francês Emmanuel Macron. Ele repetiu as alegações infundadas do presidente Donald Trump de fraude eleitoral e foi o último líder do G-20 a reconhecer a vitória do presidente Biden. Por meses, membros de seu governo e simpatizantes espalharam ataques racistas contra a China e zombaram de sua vacina. Na terça-feira, seu ministro das finanças disse que a China “inventou o vírus”.

Desde o início da pandemia, o governo federal do Brasil minimizou a gravidade de um vírus que mutilou este país de 210 milhões. Bolsonaro pediu às pessoas que vivessem suas vidas normalmente. Muitos ouviram – seja por causa da pobreza, da política ou do tédio – para minar as medidas de contenção desiguais. Mais de 400.000 brasileiros morreram de covid-19, o pior desastre humanitário da história do país e o segundo maior número de vítimas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Agora, ainda atolado nos dias mais mortíferos de seu surto – mais 3.001 mortes foram relatadas na quinta-feira – um país que há muito se orgulha de ser amigo de quase todos se encontra em grande parte sem amigos.

“Em tantos níveis, o país perdeu influência”, disse Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas em São Paulo.

O Brasil nunca foi um país que pudesse contrariar o mundo. Vasto, desigual e em desenvolvimento, o Brasil tradicionalmente segue o que Stuenkel descreveu como uma política externa “previsível” que dependia da construção de alianças. Ano após ano, tem tentado estender o alcance de seu corpo diplomático, um dos maiores do mundo em desenvolvimento.

“A América poderia se safar com um Donald Trump [extremista] porque não precisa muito do mundo”, disse Stuenkel. “Pode produzir suas próprias vacinas. Mas, no Brasil, esse comportamento tem sido particularmente imprudente porque é um país que depende da comunidade internacional. Não temos hard power. Precisamos de multilateralismo. ”

Em vez disso, a administração de Bolsonaro minou a fé na China e em suas vacinas, ao mesmo tempo que o Brasil dependia do país para materiais vacinais. O ex-ministro da Educação de Bolsonaro tuitou uma mensagem racista em abril passado, atraindo uma repreensão da China e da Suprema Corte brasileira. O filho do presidente Eduardo, um deputado brasileiro, culpou a China pela pandemia, depois a acusou de usar 5G para espionagem.

O governo chinês alertou sobre as “consequências negativas” se tal retórica continuar. Em janeiro, o embarque da China de materiais de vacinas para o Brasil foi muito atrasado, levando a especulações e alguns relatos da mídia de que os insultos do governo tiveram consequências.

Nesta semana, no momento em que autoridades sanitárias brasileiras rejeitaram a vacina russa Sputnik V, alegando falta de transparência, o ministro da Fazenda Paulo Guedes foi atrás da vacina chinesa que o Brasil tem.

“Os chineses inventaram o vírus”, disse ele. “E a vacina deles é menos eficaz do que a americana.”

O embaixador chinês rebateu: “Até o momento, a China é o principal fornecedor de vacinas e insumos para o Brasil”.

Quem está pagando o custo dessas disputas diplomáticas são os brasileiros comuns, disse Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano, com sede em Washington.

“O povo brasileiro está sofrendo e morrendo nesses números”, disse ele. “E essa é a parte trágica.”

*Com informações do The Washington Post e Poder360.


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