Negacionismo de Boris Johnson, o “Jair Bolsonaro inglês”, é desmascarado

O Reino Unido, como o Brasil, paga o preço do negacionismo de seu líder. O depoimento de Dominic Cummings, ex-assessor do primeiro-ministro Boris Johnson, ao Parlamento britânico, na quarta-feira (26/05/2021), revelou muitas semelhanças entre a postura do líder inglês e Jair Bolsonaro. Não surpreende, portanto, que os dois colocaram suas nações entre as cinco onde houve mais mortes por Covid-19.

O Brasil ocupa o segundo lugar no trágico ranking. O Reino Unido, o quinto — e primeiro entre os países europeus. Na liderança, seguem os Estados Unidos, que também foi governado na maior parte da pandemia por outro negacionista, Donald Trump. Como no Brasil, disse Cummings, “morreram dezenas de milhares de pessoas que não precisavam morrer”. E a culpa, acrescentou, é de Boris Johnson.

A audiência com o ex-assessor poderia muito bem ser uma sessão na CPI da Covid, no Senado brasileiro. Cummings contou que Johnson minimizou a gravidade da pandemia, comparou a Covid-19 com a gripe suína, chamou os alertas de cientistas de “histórias para assustar”, não ouviu especialistas do governo e buscou a todo instante colocar os interesses econômicos acima da preservação de vidas (veja quadro com frases de Johnson e Bolsonaro abaixo).

Corpos empilhados e imunidade de rebanho

Sempre resistente aos lockdowns, que o país adotou após enorme pressão, Boris Johnson teria dito que preferia “ver os corpos empilhados” do que adotar a medida pela terceira vez. Em outra ocasião, teria elogiado o prefeito do filme Tubarão, que se recusa a fechar as praias da cidade apesar de um peixe gigante estar matando turistas.

Cummings também contou que o governo inglês planejou seriamente perseguir a imunidade de rebanho sem vacinação. Assessores chegaram a sugerir que Johnson fosse à televisão dizer que a Covid-19 era como uma catapora que que as pessoas realizassem “festas da catapora”.

A tragédia inglesa só não foi maior porque a resistência das autoridades do país ao negacionismo de Johnson foi firme e também porque o primeiro ministro acabou acometido por uma forma grave da doença, indo parar em uma UTI em abril do ano passado.

Talvez motivado pela experiência de quase morte, Johnson adotou um discurso contraditório, alternando recomendações de as pessoas ficarem em casa com críticas ferozes aos defensores do lockdown. Mas nunca deixou de mentir, disse Dominic Cummings, como quando afirmou que todos os doentes estavam recebendo tratamento e que os hospitais não estavam sobrecarregados, no meio do ano passado. Por fim, o ex-assessor afirmou que Johnson nunca esteve a alutra do desafio e descreveu a situação inglesa como “leões sendo governados por burros”.


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