Auditor do TCU que fez ‘relatório paralelo’ sobre covid-19 admite que pai militar repassou dados para extremista Jair Bolsonaro

Extremista Jair Bolsonaro usou análise para divulgar notícia falsa de que TCU questionava mortes por covid-19 no Brasil. Servidor, cujo pai é amigo de Bolsonaro, já foi afastado da função.
Extremista Jair Bolsonaro usou análise para divulgar notícia falsa de que TCU questionava mortes por covid-19 no Brasil. Servidor, cujo pai é amigo de Bolsonaro, já foi afastado da função.

O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa e Silva foi afastado de suas funções após ter produzido um relatório com análises que levaram o presidente Jair Bolsonaro a divulgar notícia falsa de que o órgão questionava as mortes por covid-19 no Brasil.

De acordo com informações preliminares encaminhadas à corregedoria, o servidor confessou à sua chefia imediata que ele foi o autor das análises e que comentou o assunto com o pai, que é militar e amigo pessoal de Bolsonaro. O pai teria enviado o texto ao presidente.

A corregedoria, comandada pelo ministro Bruno Dantas, encaminhará um relatório à presidente do TCU, Ana Arraes, propondo a abertura de um processo disciplinar contra Costa e Silva para que a investigação possa ser aprofundada, com a tomada de depoimentos dos envolvidos.

Alexandre atua na Secretaria de Controle Externo do TCU da Saúde. Ele é de Jundiaí (SP), e as famílias dele e de Bolsonaro são próximas, tanto que ele chegou a ser indicado para uma diretoria do BNDES em 2019. Mas a posse foi barrada pelo próprio TCU, alegando conflito de interesses, já que o tribunal fiscaliza o banco.

Na segunda-feira (07/06/2021), o presidente Jair Bolsonaro afirmou a apoiadores que o TCU questionava as mortes por covid-19 no Brasil. – o que é mentira.

“Em primeira mão aí para vocês. Não é meu. É do tal de Tribunal de Contas da União. Questionando o número de óbitos no ano passado por Covid. E ali o relatório final não é conclusivo, mas em torno de 50% dos óbitos por Covid ano passado não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União”, diz Bolsonaro na conversa com apoiadores.

“Esse relatório saiu há alguns dias. Lógico que a imprensa não vai divulgar. Eu tenho três jornalistas que eu converso, não vou falar o nome deles, que são pessoas sérias, né. E já passei para eles. E devo divulgar hoje à tarde. E como é do Tribunal de Contas da União, ninguém queira me criticar por causa disso”.

Depois que o TCU divulgou uma nota desmentindo o questionamento, Bolsonaro admitiu que tinha errado, mas insistiu em atacar governadores e pedir apuração sobre essa suposta “supernotificação” de mortes.

Ministro do TCU pede inquérito da PF sobre servidor que forjou relatório

Relator do processo administrativo contra o assessor do TCU que inventou um relatório sobre mortes na pandemia a partir de dados do tribunal, o ministro Bruno Dantas solicitou em despacho publicado há pouco a abertura de inquérito pela Polícia Federal para apurar o ocorrido. O pedido é direcionado à presidente da Corte, Ana Arraes, que deve acatar o requerimento.

Presidente do TCU defere pedido

A presidente do Tribunal de Contas da União, ministra Ana Arraes, decidiu nesta quarta-feira (9/6) afastar o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques por 60 dias. Também mandou instaurar processo administrativo disciplinar contra o servidor e informou que pedirá à Polícia Federal que abra inquérito para apurar a conduta dele.

Com a decisão, o servidor ficará impedido de entrar no prédio do Tribunal e de ter acesso aos sistemas internos de processos da corte.

Silva Marques é suspeito de envolvimento na elaboração de um documento, inserido no sistema do órgão no último domingo (6/6), que distorcia os dados do número de mortos pela Covid-19 no Brasil. O material vazado em seguida foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira (7/6).

Alexandre já tinha sido afastado do cargo de supervisor de um grupo de auditores responsável por ações de fiscalização e combate à corrupção em ações de combate à Covid-19.

*Com informações do Yahoo Notícias, Revistas Veja e ConJur.


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