Poucas vezes na história eleitoral brasileira tivemos, com tanta antecipação, um panorama tão perceptivelmente definido como o atual, em que dois nomes irão ao segundo turno das eleições presidenciais, se não houver consenso sobre um candidato para representar a terceira alternativa ou via, flagrantemente majoritária, segundo as mais recentes pesquisas de opinião.
Parece evidente que tanto Lula quanto Bolsonaro querem, um ao outro, como o adversário ideal, confiantes em que o pêndulo decisivo do voto da terceira via ser-lhe-á favorável.
Na perspectiva de hoje, a pouco mais de 14 meses das eleições, o número dos que consideram uma escolha de Sofia a configuração de um tal cenário é tão grande que teríamos um recorde de votos nulos e brancos difícil de ser superado.
O grande problema para a materialização dos anseios desse majoritário contingente eleitoral que integra a terceira via reside no avultado número dos candidatos que se veem como o ideal para romper esse maniqueísmo que vem dividindo, de modo odiento, a família brasileira.
Do ponto de vista dos candidatos favoritos para disputar o segundo turno, Bolsonaro e Lula, as respectivas estratégias para receber o voto majoritário da terceira via parecem claras a observadores atentos. Enquanto Lula opta pela discrição, como meio de evitar a precipitação do inevitável debate sobre o assalto que comandou contra os cofres públicos, acompanhando, de camarote, o desgaste auto-infligido pelo Presidente, com os sucessivos tiros no pé de sua incontinência verbal, o próprio, Bolsonaro e sua equipe acreditam que o Presidente chegou ao fundo do poço, de onde ganhará impulso para, eventualmente, vencer no primeiro turno.
São três os pressupostos para esse, aparentemente, exagerado otimismo. O primeiro, e mais consistente, é o crescimento do PIB brasileiro, próximo de 6% no ano corrente, ensejando uma arrecadação que possibilitará políticas sociais de grande impacto eleitoral, como o expressivo aumento do Bolsa Família que, só na Bahia, beneficiará mais de quatro milhões de eleitores. O segundo pressuposto consiste na consolidação de uma ampla aliança com o Poder Legislativo, assegurando a realização de importantes reformas. O terceiro residirá na ênfase que, finalmente, será dada às conquistas do Governo no campo da infraestrutura física e social, comparando-as com as dos governos Lula-Dilma. Os realistas não computam a eventual observância pelo Presidente de um mínimo de discrição verbal, compatível com as exigências da elevada função. Se ocorrer, será um bônus considerável, como também tende a ser o desfecho da CPI da Pandemia, cuja prorrogação se comprovará benéfica à imagem presidencial que receberá dela um certificado de honestidade, em face da comprovação de que um centavo sequer não foi desviado pelo Governo na aquisição de vacinas.
Sobre o processo eleitoral eletrônico, crescem as opiniões técnicas, Brasil e mundo afora, sustentando a vulnerabilidade do sistema eletrônico de apuração de votos.
Os males que atrofiam nossa incipiente democracia decorrem, em grande medida, da má qualidade crônica do órfão sistema educacional brasileiro.
*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e ex-deputado federal constituinte.







