Ecologistas se manifestam em Londres contra o Governo Bolsonaro e em solidariedade a indígenas do Brasil

Policiais cercam ativistas do clima do grupo Extinction Rebellion reunidos em torno de uma estrutura rosa que construíram no meio de Oxford Circus, no centro de Londres, em 25 de agosto de 2021.
Policiais cercam ativistas do clima do grupo Extinction Rebellion reunidos em torno de uma estrutura rosa que construíram no meio de Oxford Circus, no centro de Londres, em 25 de agosto de 2021.

Aos gritos de “Fora Bolsonaro!”, Centenas de pessoas se manifestaram nesta quarta-feira (25/08/2021) em frente à embaixada do Brasil em Londres, depois da convocação de várias ONGs incluindo o movimento ambientalista Extinction Rebellion, em solidariedade aos milhares de indígenas brasileiros mobilizados contra as políticas do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.

“Parem o genocídio no Brasil agora!”, “Luta pela vida” e “Não à armadilha do marco temporal”, afirmavam os cartazes, em referência à nova legislação brasileira que pretende adotar o critério temporário para a demarcação das terras indígenas, reconhecendo como terras ancestrais apenas aquelas que foram ocupadas por eles quando a Constituição de 1988 foi promulgada.

O Supremo Tribunal Federal começa a se reunir nesta quarta-feira para decidir se esse “marco temporal” se aplica a uma reserva do estado de Santa Catarina (Sul), decisão que afetará dezenas de áreas em litígio durante anos.

“Estamos aqui em solidariedade com o movimento indígena no Brasil”, disse Sarah Shenker, 35, ativista do grupo Survival International. “O marco temporal é uma proposta de genocídio empurrada pelo governo e pela indústria agroalimentar para tirar os indígenas de suas terras”, denunciou. Estes últimos “são os melhores guardiões da natureza, protegem 80% da biodiversidade mundial e não sobreviverão sem as suas terras”, acrescentou.

Para Graham Gordon, 47, membro do grupo católico CAFOD, “é também um problema climático. A Amazônia está sendo destruída para produzir alimentos que consumimos no Ocidente”.

O grupo ambientalista Extinction Rebellion (XR) deu início a duas semanas de protestos e ações em Londres para pedir aos governos que ajam “com urgência” sobre as mudanças climáticas. Esta rede de ativistas, formada no Reino Unido em 2018, usa regularmente a desobediência civil para destacar a inação do governo nas mudanças climáticas.

Julgamento há muito aguardado no Brasil

Em meio às manifestações de milhares de indígenas no coração de Brasília, o Supremo Tribunal Federal deve proferir, a partir desta quarta-feira, um julgamento crucial sobre seus direitos às terras ancestrais.

Cerca de 6.000 índios de cem tribos diferentes, usando cocares de plumas e empunhando arcos e flechas, ocupam a imensa esplanada, sob a vigilância da tropa de choque, para pressionar os juízes da mais alta jurisdição brasileira.

No centro de Brasília, milhares de indígenas montaram acampamentos, cantaram e dançaram, por enquanto sem confronto com a polícia, em uma mobilização coordenada pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Para a Apib, esta é a mais importante manifestação indígena já organizada no Brasil.

Eles realizaram uma vigília à luz de velas na terça-feira à noite perto do palácio presidencial, do Supremo Tribunal Federal e do Parlamento. Eles deveriam caminhar ao meio-dia de quarta-feira até a sede do STF, quando os juízes determinarão o futuro de suas terras.

Muitas tribos foram deslocadas ao longo da história brasileira, especialmente sob o regime militar (1964-85). De volta às suas terras, eles agora exigem a proteção do status concedido às reservas, que se opõe ao poderoso lobby brasileiro do agronegócio.

O presidente Bolsonaro já havia alertado que o “caos” surgiria se o “marco temporal”, também favorável ao desmatamento e à mineração ilegal, não fosse acatado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Todo o Brasil é território indígena”, disse Tai Kariri, 28, chefe da tribo Kariri, no nordeste da Paraíba, “sempre vivemos lá”. Manifestantes também protestam contra o que acreditam ser violações sistemáticas de seus direitos desde que o presidente Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019.

*Com informações da RFI.


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