Feirantes da rua Marechal Deodoro reorganizam barracas onde as obras do “Novo Centro” estão finalizadas e lançam carta à sociedade de Feira de Santana

Movimento a Feira da Marechal é patrimônio ocupa espaço público.
Movimento a Feira da Marechal é patrimônio ocupa espaço público.

A tensão entre a Prefeitura de Feira de Santana e feirantes da rua Marechal Deodoro se agravou nas últimas semanas após anúncio do secretário municipal da Agricultura, Pablo Roberto, de que a feira livre seria removida do local no dia 15 de setembro de 2021 (quarta-feira).

Desde então, uma intensa mobilização das trabalhadoras e trabalhadores da feira, que realizaram manifestações e lançaram uma campanha nas redes sociais, conseguiu garantir, ainda que temporariamente, a permanência no local, visto que a remoção anunciada não aconteceu. Ainda assim, a prefeitura tem insistido na decisão de que as barracas devem em algum momento ser removidas.

Diante disso, em assembleia na última sexta-feira (18), o movimento “A feira da Marechal é patrimônio”, que reúne feirantes e apoiadores contra a extinção da feira livre, decidiu pela manutenção do estado de mobilização e definiu suas próximas ações. A principal delas foi a reorganização das barracas da feira, de forma a ocupar apenas a parte da rua onde as obras já foram concluídas. Essa medida visa combater o discurso da prefeitura, segundo o qual as barracas impediriam o avanço das obras do projeto “Novo Centro”. Com a nova disposição, as obras podem continuar sem qualquer obstáculo.

Além disso, o movimento também elaborou uma carta aberta à sociedade feirense, na qual relatam o atual estágio das movimentações pela permanência da feira livre e como tem sido a relação com a prefeitura de Feira de Santana – bastante problemática, de acordo com informações do documento, divulgado a seguir:

Carta da Feira da Marechal à Sociedade Feirense

— Quem passou ou vai passar pela rua Marechal Deodoro, no centro da cidade, notará que a Feira mudou. Realizamos uma assembleia na última sexta-feira (18/09/2021) que discutiu o futuro do nosso trabalho como feirantes, assim como os passos necessários para defender os nossos direitos. Com base nisso, viemos a público para comunicar que:

— Reorganizamos o espaço da Feira, concentrando as nossas atividades na parte da rua Marechal onde as obras do dito Projeto Novo Centro já foram terminadas. O governo municipal tem falado que a culpa das obras não avançarem é de quem é feirante na área, o que é uma mentira. Sempre buscamos o diálogo e uma solução conjunta, mas o prefeito Colbert Martins nunca se mostrou aberto para isso. Agora, rearrumamos a Feira para que terminem as obras sem a desculpa que “atrapalhamos”. É um gesto de boa vontade da nossa parte para ajudar a abrir o diálogo, mas também uma demonstração do tamanho da nossa organização e da nossa disposição de luta. Não estamos de brincadeira!

— Esperamos que daqui para frente o governo municipal mude de postura e, realmente, nos receba para ouvir e analisar as nossas propostas de verdade. Há meses tentamos marcar reunião com o prefeito, protocolando vários pedidos, sem qualquer resposta. Já apresentamos um projeto técnico alternativo, produzido a partir de pesquisa de Arquitetura e Urbanismo, que mostra que é possível e viável manter a Feira da Marechal de forma organizada. Ao invés de analisar a nossa alternativa de forma séria, o Secretário de Planejamento tem corrido para mídia para dizer que ele “desconhece” o projeto e depois que a proposta que ele nunca sequer analisou “não serve”. É não só rídiculo para quem ocupa um cargo público, mas um desrespeito!

— Entendemos que qualquer confronto e violência que venham a acontecer sobre a permanência da Feira da Marechal são de responsabilidade direta do prefeito Colbert Martins, do secretário de Planejamento Carlos Brito e outros secretários municipais envolvidos. Da prefeitura, só escutamos que a “decisão de governo” é tirar e pronto. Apesar disso, desde o começo desse processo, estamos buscando o diálogo e continuamos tentando. Esgotaremos todos os meios de movimento e legais para garantir a nossa permanência em um local onde trabalhamos, em vários casos, há mais de 40 anos. Não aceitaremos passivamente truculência e ilegalidade, como ocorreu com o comércio popular de rua em outros pontos do centro da cidade. Não ficaremos de braços cruzados diante da injustiça!

Movimento a Feira da Marechal é patrimônio

Feira de Santana, 20 de setembro de 2021.


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