Jornalistas sob risco no Afeganistão precisam de proteção internacional

Um grupo de especialistas da ONU em direitos humanos* está pedindo a todos os países para “fornecerem proteção urgente aos jornalistas e trabalhadores da mídia no Afeganistão”.

Os profissionais temem por suas vidas e buscam segurança fora do país. Os especialistas destacam que jornalistas, em especial as mulheres, estão correndo mais riscos desde que o Talibã tomou o controle político do país, em 15 de agosto.

Vistos

Nesta sexta-feira, os relatores divulgaram um comunicado pedindo ações fortes e rápidas “para proteger os jornalistas afegãos que enfrentam perseguição”.

Eles disseram que os países devem conceder vistos, manter fronteiras abertas e ajudar na retirada dos profissionais que querem partir. O grupo cita várias resoluções sobre proteção adotadas nos últimos anos pelo Conselho de Direitos Humanos.

Os relatores mencionam que nas áreas controladas pelo Talibã, estão ocorrendo assassinatos de profissionais da mídia ou dos seus parentes, invasões nos domicílios, ameaças e intimidações.

Investigação

Segundo o grupo, o Afeganistão já era considerado um dos países mais perigosos do mundo para a prática do jornalismo. Os relatores querem que o Conselho de Direitos Humanos crie um mecanismo de investigação e monitoramento de todas as violações de direitos no país.

Segundo eles, a resolução adotada pelo órgão na semana passada não menciona riscos enfrentados por jornalistas e defensores de direitos humanos no Afeganistão.

Também nesta sexta-feira, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, falou da iminência de uma crise humanitária e das incertezas sobre a situação dos afegãos que buscam abrigo nas fronteiras.

Para o Acnur, “a realidade é que a crise de deslocados está acontecendo dentro do país”, com mais de 600 mil afegãos desalojados, sendo 80% mulheres e crianças.

Cruzamento de fronteiras

O porta-voz do Acnur, Babar Baloch, está no Paquistão e fez um apelo ao mundo para não permitir que a situação “se torne uma catástrofe humanitária”.

Segundo ele, apesar de os afegãos poderem cruzar as fronteiras com o Paquistão com apenas a carteira de identidade ou visto, não se vê um grande movimento na região.

Baloch desconfia que alguns afegãos podem achar que não têm os documentos necessários ou estão com medo de enfrentar guardar armados nas fronteiras.

*Os relatores especiais de direitos humanos trabalham de forma independente e voluntária e não recebem salário pelo trabalho.

*Com informações da ONU News.


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