Yahoo encerra atividades na China

A empresa de serviços online Yahoo Inc. anunciou nesta terça-feira (02/11/2021) que suas plataformas de internet não estarão mais acessíveis na China continental a parti de 1º de novembro.

Em nota, a Yahoo atribuiu a decisão ao que chamou de “desafios cada vez maiores nos ambientes de negócios e jurídico na China”. A medida, porém, tem caráter simbólico, uma vez que o serviço de emails do Yahoo já foi indisponibilizado no país há alguns anos.

A decisão da empresa ocorre e meio a uma disputa entre os Estados Unidos e a China em torno de questões de tecnologia e comércio. Os americanos impuseram restrições à gigante da tecnologia Huawei e outras empresas chinesas do setor, acusadas de estarem intimamente ligadas ao governo ou às Forças Armadas do país, ou a ambos.

O Yahoo se tornou a mais recente empresa americana a encerrar suas atividades na China. Em meados de outubro, a Microsoft suspendeu a versão chinesa da rede social Linkedin, ao se queixar, entre outras coisas, de exigências regulatórias mais altas.

Os serviços do Google não estão disponíveis na China já há um bom tempo, enquanto o Facebook segue bloqueado no país. As plataformas online que operam em solo chinês são obrigadas a fornecer dados de seus usuários às autoridades sempre que forem solicitadas a fazê-lo.

Autoridades chinesas controlam dados de usuários

Os chineses preencheram o vácuo deixado pelas empresas americanas com a criação de uma internet alternativa e de suas próprias gigantes da tecnologia. O Google e o Yahoo foram substituídos pela ferramenta de buscas Baidu. Ao invés de Facebook e Twitter, as principais redes sociais na China são o WeChat e o Weibo.

O fato de as empresas americanas abandonarem o mercado chinês demonstra as escolhas que a empresas de internet têm de tomar em relação a um mercado gigantesco, onde o governo censura conteúdos considerados sensíveis politicamente, inapropriados ou simplesmente proibidos, como referências ao massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em Pequim, em 1989.

A decisão do Yahoo coincidiu com a implementação da Lei de Proteção de Informações Pessoais, que limita a quantidade de dados que as empresas podem coletar e estabelece os padrões para o armazenamento.

O Yahoo, em seu comunicado, afirma que “permanece comprometido com os direitos dos usuários e com uma internet livre e aberta”.

*Com informações do DW.


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