Olavo de Carvalho morre, aos 74 anos, nos Estados Unidos

O astrólogo e escritor  Olavo Luiz Pimentel de Carvalho morreu nessa segunda-feira (24/01/2022), aos 74 anos, nos Estados Unidos, onde vivia. A informação foi dada pela família nas redes sociais do escritor, que disse que há oito dias ele foi diagnosticado com Covid-19.

“Com grande pesar, a família do professor Olavo de Carvalho comunica sua morte na noite de 24 de janeiro, na região de Richmond, na Virgínia, onde se encontrava hospitalizado”.

Ele deixa a esposa, Roxane, oito filhos e 18 netos. A causa da morte não foi divulgada. Recentemente, Olavo esteve internado em hospital no Brasil com problemas cardíacos.

O escritor faleceu na região de Richmond, nos EUA, onde estava hospitalizado. Olavo de Carvalho nasceu em 1947, em Campinas, no interior de São Paulo, publicando mais de 30 obras.

O escritor era considerado um dos grandes expoentes do conservadorismo no Brasil, tendo sido apontado como grande influenciador do atual presidente Jair Bolsonaro durante sua campanha eleitoral em 2018.

Pupilo consternado 

No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro lamentou a morte do escritor. “Nos deixa hoje um dos maiores pensadores da história do país, o astrólogo Olavo Luiz Pimentel de Carvalho. Olavo foi gigante na luta pela liberdade e farol para milhões de brasileiros. Seu exemplo e seus ensinamentos nos marcarão para sempre”, afirmou.

Morte de Olavo de Carvalho é ‘grande revés’ para o bolsonarismo, diz Georg Wink pesquisador alemão

Para especialistas, Olavo conseguiu tanto fomentar o surgimento da nova direita brasileira nas últimas duas décadas quanto fornecer suas bases ideológicas. Qual será então o impacto da morte de Olavo para o movimento bolsonarista?

“É um grande revés para o bolsonarismo porque ele dependia totalmente de Olavo, que não estava exagerando ao dizer que o que possibilitou o fortalecimento da nova direita e a eleição de Bolsonaro foi a guerra cultural de formiguinha que ele vinha fazendo desde meados dos anos 1990”, afirma o pesquisador alemão Georg Wink, brasilianista que dirige o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Copenhague (Dinamarca) e foi professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para ele, a morte de Olavo muda completamente o cenário porque essa linhagem de pensamento no Brasil, de teor cristão e reacionário, sempre dependeu de um porta-voz, como Plínio Salgado e o integralismo (movimento popular brasileiro com ligações com o fascismo) que praticamente se desfez com sua morte. Outro nome associado por Wink a essa corrente é Plínio de Oliveira Correia, fundador da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP).

“A morte de Olavo enfraquece bastante a representação e a mobilização do movimento olavista. Mas por outro lado as ideias continuam e basta aparecer um novo líder ideológico que elas voltam. Só uma liderança torna as ideias agudas para introduzi-las no debate político.”.

Mas que ideias seriam essas que estão na base do bolsonarismo? Segundo ele, “se trata de status quo colonial que uma minoria considera importante ser preservado. Ou melhor dizendo, se trata da manutenção de privilégios que existem, com supercidadãos integrados e subcidadãos excluídos.”

Wink é autor do livro Brazil, Land of the Past: The Ideological Roots of the New Right (“Brasil, País do Passado: As Raízes Ideológicas da Nova Direita”, em tradução livre). A obra em inglês está disponível do site da editora mexicana Bibliotopía de forma gratuita na versão digital ou paga na versão impressa.

*Com informações da Agência Brasil e de Matheus Magenta, da BBC News Brasil em Londres.


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