ONU pede moderação e diálogo em meio à violência que causou mortes no Cazaquistão

As Nações Unidas lançaram um apelo em favor da moderação e promoção do diálogo na sequência de incidentes de violência que já deixaram vários mortos no Cazaquistão.

Pronunciamentos sobre a situação foram divulgados nesta quinta-feira pela alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e pela representante especial do secretário-geral para a Ásia Central, Natalia Gherman.

Contatos

Falando a jornalistas em Nova Iorque, o porta-voz da organização disse que as Nações Unidas continuam acompanhando de “muito perto a situação”.

Em nome do chefe da ONU, Natalia Gherman manteve contato com as autoridades no país, incluindo uma conversa pelo telefone com o vice-ministro das Relações Exteriores do Cazaquistão, Mukhtar Tileuberdi.

A enviada da ONU enfatizou o pedido de abstenção das partes da violência e promoção do diálogo para lidar com a situação. Já Michele Bachelet se dirigiu às forças de segurança, manifestantes e outros enfatizando que deve haver busca de uma solução pacífica.

A chefe de direitos humanos citou um pronunciamento oficial da polícia na principal cidade, Almaty, sobre dezenas de manifestantes mortos supostamente pelas forças de segurança. Outras cerca de mil pessoas ficaram feridas nos protestos.

Ambiente de agitação

Agências de notícias informaram que as manifestações iniciadas no domingo aconteceram após o aumento do preço do gás liquefeito de petróleo, usado em carros e para o aquecimento. O ambiente de agitação foi incentivado por algumas questões políticas que já vinham sendo levantadas no país.

De acordo com o Ministério do Interior, pelo menos 12 policiais morreram e 317 membros das forças de segurança ficaram feridos nos incidentes.

Bachelet disse que no Direito Internacional está claro que “as pessoas têm direito ao protesto pacífico e à liberdade de expressão”. A chefe de Direitos Humanas destaca que, ao mesmo tempo, os manifestantes, por mais aborrecidos ou magoados que estejam, não devem recorrer à violência.

Em Almaty, foram relatados uso de gás lacrimogêneo e granadas pela polícia de choque. Os manifestantes teriam isolado alguns prédios do governo, incendiando-os, e depois tentado invadir delegacias de polícia.

Intenso tiroteio

Bachelet também mencionou relatos de um intenso tiroteio entre militares e pessoas armadas em frente à prefeitura da cidade nesta quinta-feira.

Ela lembrou às autoridades cazaques que “na aplicação da força devem ser observados os requisitos rigorosos de necessidade e proporcionalidade”.

Nesta quarta-feira, o estado de emergência antes declarado em áreas como Almaty e a capital, Nur-Sultan, foi estendido para o território nacional. A série de restrições, incluindo um toque de recolher entre as 23 horas às 7 horas da manhã, devia vigorar até pelo menos 19 de janeiro.

*Com informações da ONU News.


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