2022 começa com alta do preço global dos alimentos 

Os preços das principais commodities alimentares subiram em janeiro de 2022, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO. O Índice Global de Preço dos Alimentos atingiu 135.7 pontos no mês passado, 1,1% maior do que os números de dezembro.

Todos os meses, a agência da ONU avalia os preços dos principais produtos alimentares comercializados internacionalmente. A alta de janeiro foi influenciada em grande parte pelo valor dos óleos vegetais, que atingiram um pico de alta de 4,2%.

Óleos de palma e de soja

Segundo a FAO, a cotação dos principais óleos subiu, em especial do óleo bruto. Por sua vez, o preço do óleo de palma foi sustentado por preocupações de uma possível redução na disponibilidade da Indonésia, que é o principal exportador deste tipo de óleo.

A FAO destaca ainda que os preços do óleo de soja foram influenciados pelo aumento das importações, especialmente da Índia, enquanto a cotação do óleo de semente de girassol foi impactada pelo aumento da demanda global de importação.

O diretor da Divisão de Mercados e Comércio da FAO, Boubaker Ben-Belhassen, declarou que “a redução da disponibilidade de exportações, a diminuição da força de trabalho e o clima desfavorável empurraram os preços dos óleos vegetais para a maior alta de sempre”. Segundo o especialista, existe a preocupação de que esses impactos não se desapareçam de forma rápida.

Leite e manteiga

O Índice de Preço do Leite e Derivados subiu 2,4% em janeiro, sendo as maiores altas registradas no leite em pó desnatado e na manteiga. A menor disponibilidade para exportações na Europa Ocidental e produções de leite abaixo do esperado na Oceania contribuíram para que o mercado global dos laticíneos ficasse mais competitivo.

A FAO divulgou também que o Índice de Preço dos Cereais registrou uma leve alta de 0,1% no mês passado, na comparação com dezembro. As exportações de milho subiram 3,8%, devido a preocupações com o clima seco na América do Sul.

Outra commoditie avaliada mensalmente pela agência da ONU é a carne, que teve aumento de preço em janeiro, principalmente porque o valor global da carne bovina atingiu um pico, com a demanda de importação ultrapassando o volume disponível para exportação. Por outro lado, as carnes de porco e de ovino tiveram leve redução de preços, já que o total disponível para exportação foi maior do que a demanda de importação.

Brasil  

A FAO também revelou que a única commoditie onde houve redução nos valores de comercialização global foi o açúcar, com o índice apresentando queda de 3,1%.

As expectativas de produção de açúcar na Índia e na Tailândia, que são grandes exportadores, foram bastante favoráveis e a melhoria das condições de chuva e a queda do preço do etanol no Brasil também influenciaram o índice.

A agência da ONU divulgou ainda suas projeções sobre a produção mundial de cereais, que em 2021, deverá ter sido de 2,7 bilhões de toneladas, um aumento de 0,8% em relação a 2020.

Para o ano de 2022, a FAO acredita que haverá uma expansão nas plantações de trigo, devido às condições favoráveis do clima no Hemisfério Norte. Já a produção de milho deverá ser robusta, com a alta dos preços indicando colheitas recorde na Argentina e no Brasil.

*Com informações da ONU News.


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