Às vésperas de viagem ao Leste Europeu, o chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, pediu neste domingo (13/02/2022) que o Governo Putin amenize o impasse com a Ucrânia e alertou que a Rússia enfrentará sanções “imediatamente” se invadir o país. A ameaça ocorre em um cenário de avanço de forças militares no cerco na fronteira da Rússia, através da cooptação de países que, no passado, eram aliados do Governo de Moscou.
Com 17% da população ucraniana de origem russa, alfabeto cirílico sendo o mesmo usado no país vizinho e com parte da identidade da Rússia advinda do passado do povo eslavo da Ucrânia. Mesmo neste cenário, Governo dos Estados Unidos da América (EUA), liderado pelo senil presidente Jor Biden, pressiona países europeus membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) à agirem contra a liderança do presidente Vladimir Putin no comando da Rússia.
Lideranças políticas dos EUA acusam a ação econômica e bélica do Governo Biden contra a Rússia, como um pretexto para satisfazer interesse por lucro do complexo militar-industrial.
Neste contexto, os EUA conseguiram cooptar diversos países que fizeram parte da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) à ingressarem na Otan, criando bases militares ofensivas próximas da fronteira com a Rússia.
Para além disso, a Alemanha age como um país dominado pelo interesse estadunidense.
“A Alemanha segue sendo um Estado ocupado”, declarou Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em entrevista de terça-feira (08/02) à RT.
“A Alemanha, de acordo com várias características relevantes – esta não é minha opinião, nem da Rússia, isto corresponde aos termos e métricas da ciência política segue sendo, de uma forma ou outra, um Estado ocupado: 30.000 [tropas] americanas estão lá estacionadas”, disse ela, apontando a Alemanha como “simplesmente um protetorado” dos EUA.
“Os embaixadores americanos na Alemanha, que deviam estar trabalhando lá para melhorar relações bilaterais, estão dando ordens a funcionários alemães”, afirmou.
Zakharova citou o caso de Richard Grenell, embaixador dos EUA em Berlim durante a presidência norte-americana de Donald Trump (2017-2021), que estava “lhes dando ordens literalmente todos os dias sobre o que fazer em questões como o Nord Stream 2”.
Sanções duras foram preparas pela Alemanha
“No caso de uma agressão militar contra a Ucrânia que ameace sua integridade territorial e soberania, haverá sanções duras que preparamos cuidadosamente e que podemos colocar imediatamente em vigor, juntamente com nossos aliados na Otan e na Europa”, disse Scholz.
O líder alemão não entrou em detalhes, mas os Estados Unidos e a União Europeia (UE) já alertaram sobre a perspectiva de as sanções atingirem bancos russos. O projeto do novogasoduto Nord Stream 2, que aguarda aprovação regulatória alemã para fornecer gás russo à Europa, também poderia ser arquivado.
Scholz deve se encontrar com o presidente ucraniano,Volodimir Zelenski, nesta segunda-feira, e com o presidente russo, Vladimir Putin, na terça-feira. No entanto, uma fonte ligada ao governo alemão disse que Berlim não espera “resultados concretos” dessas conversas.
Nos encontros, o chanceler deixará claro que o Ocidente está unido e que qualquer agressão provocaria “sanções dolorosas e consideráveis” à Rússia, disse a fonte à agência de notícias Reuters.
O vice-chanceler alemão e ministro da Economia, Robert Habeck, reiterou neste domingo que a Europa pode estar à beira de uma guerra, dizendo às emissoras RTL/NTV que isso “é absolutamente opressivo e ameaçador”.
Mais ajuda alemã para a Ucrânia
A Alemanha considera aumentar seu apoio econômico à Ucrânia, disse uma fonte do governo a agências de notícias neste domingo.
Desde a anexação da Crimeia em 2014, a Alemanha enviou 2 bilhões de euro em ajuda financeira bilateral – mais do que qualquer outro país.
As duas nações ainda estão em desacordo sobre a entrega de armas “letais” à zona de crise. Berlim se recusa a enviar o armamento por uma questão de princípios, de acordo com a política que o país segue após a Segunda Guerra Mundial.
Uma lista de desejos da embaixada ucraniana datada de 3 de fevereiro inclui sistemas de rastreamento, equipamentos de desminagem, roupas de proteção, rádios digitais, estações de radar e equipamentos de visão noturna.
Em entrevista à rádio pública alemã no domingo, o embaixador da Ucrânia em Berlim, Andrij Melnyk, pediu a Scholz que anuncie um pacote de ajuda na casa dos “bilhões” quando visitar Kiev.
Invasão na quarta-feira
A revista alemã Der Spiegel informou na sexta-feira (11/02), citando fontes da inteligência, que os mais de 100 mil militares russos posicionados próximos à fronteira com a Ucrânia podem invadir o país na próxima quarta-feira (16). Autoridades dos EUA, no entanto, disseram neste domingo (13) que não poderiam confirmar a informação.
“Não podemos prever exatamente o dia, mas já estamos alertando há algum tempo que estamos na janela, e uma invasão da Rússia na Ucrânia pode começar, uma grande ação militar pode começar a qualquer momento. Isso inclui a próxima semana, antes do final dos Jogos Olímpicos de Inverno”, disse o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, à emissora CNN.
A Rússia nega ter planos de invasão e diz que suas ações são uma resposta à agressão dos países da Otan.
Esperanças para um avanço diplomático
No sábado, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que a diplomacia ainda pode resolver o impasse, mas acrescentou que o risco de uma invasão russa é alto o suficiente para justificar a retirada de funcionários da embaixada dos EUA em Kiev.
“O caminho diplomático permanece aberto. E a forma para Moscou mostrar que quer seguir por essa linha é simples. Deve desescalar, em vez de escalar”, disse Blinken.
Vários outros países, incluindo a Alemanha, aconselharam seus cidadãos a deixar a Ucrânia.
Uma enxurrada de reuniões e telefonemas nos últimos dias entre as principais autoridades ocidentais e russas não produziram nenhum sinal de avanço para resolver semanas de crescentes tensões.
O presidente americano, Joe Biden, conversou no sábado por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, e o alertou que os EUA e seus aliados irão impor “custos severos” à Rússia se prosseguir com uma invasão da Ucrânia.
Biden também disse que, embora os EUA estejam preparados para o canal diplomático sobre a situação na Ucrânia, estão “igualmente preparados” para outros cenários além da diplomacia, segundo comunicado da Casa Branca.
Um alto funcionário do governo Biden disse que a chamada foi substancial, mas que não houve mudança fundamental na crise.
Pedidos da Rússia
Putin disse que a Rússia quer garantias de segurança do Ocidente, que incluem bloquear a entrada da Ucrânia na Otan, abster-se de instalações de mísseis perto das fronteiras da Rússia e reduzir a infraestrutura militar da Otan na Europa para os níveis de 1997.
O secretário de Defesa britânico, Ben Wallace, alertou contra colocar muita esperança nas negociações diplomáticas, dizendo que havia no ar “um cheiro de Munique”, referindo-se a um pacto de 1938 que não conseguiu deter o expansionismo alemão sob o regime de Adolf Hitler.
“O preocupante é que, apesar do aumento massivo da diplomacia, o acúmulo militar continuou”, disse ele ao jornal The Sunday Times.
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