Corte Internacional de Justiça inicia audiências públicas sobre Ucrânia e Rússia

A Corte Internacional de Justiça, CIJ, deu início esta segunda-feira (07/03/2022), às audiências públicas do caso “Alegações de Genocídio sob a Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio – Ucrânia versus Rússia”.

Um representante do governo da Ucrânia foi ouvido, enquanto a Rússia decidiu não participar da sessão e deverá se pronunciar na Corte na terça-feira. A audiência no tribunal de Haia começou no 12° dia da crise no país, onde mais de 1,5 milhão de pessoas já fugiram e buscaram refúgio em nações que fazem fronteira com a Ucrânia.

Violação de tratado internacional

Na CIJ, o representante permanente do presidente da Ucrânia, Anton Korynevych, pediu que “a disputa seja resolvida como nações civilizadas”. Ele fez um apelo para que a Rússia “baixe as armas e apresente evidências”, afirmando que a Ucrânia respeita a Corte e pedindo para Rússia fazer o mesmo.

Korynevych disse que a Corte Internacional de Justiça tem responsabilidade de agir nesta situação. Representando a Ucrânia estavam ainda juristas internacionais que argumentaram que a “ofensiva russa foi uma violação direta da Convenção de 1948 sobre o Genocídio.”

Segundo os advogados, as ações da Rússia “reduziram o acordo global a confete”, apesar do país ser signatário do texto. A defesa ucraniana alega que a afirmação russa de que precisou intervir para “evitar um massacre em Donetsk e Luhansk é absurda”.

“Mentiras”

Os representantes da Ucrânia disseram ainda que a Rússia não forneceu nenhuma evidência das alegações de genocídio que teria sido cometido contra 4 milhões de habitantes nas áreas de Donetsk e Luhansk.

Citando a violência ocorrida nas regiões desde 2014, a Corte Internacional de Justiça ouviu que as missões de monitoramento reportaram uma queda dramática no número de incidentes envolvendo civis nos últimos anos.

O jurista internacional David Zionts afirmou que o presidente russo Vladimir Putin disse em 21 de fevereiro que “todos os dias os habitantes de Donbass estão sob bombardeio”, o que o defensor da Ucrânia garante ser “uma mentira flagrante”.

Tragédia

Falando ao grupo de 10 juízes, Zionts declarou que a narrativa russa é “baseada em falsas alegações e distorções”, tendo como consequências “agressões, cidades sob cerco, civis sob fogo e uma catástrofe humanitária, com pessoas fugindo e tentando salvar as próprias vidas”.

Ele lembrou que uma missão do Conselho de Direitos Humanos da ONU já havia alertado, em maio de 2014, sobre grupos armados pró-Rússia no leste do país. Zionts lamentou as mortes de civis dos dois lados da linha de contato, afirmando ser uma “tragédia”, mas que dizer que a Ucrânia ataca civis é “distorcer os fatos”.

A Corte Internacional de Justiça deverá ouvir a resposta da Rússia às alegações da Ucrânia nesta terça-feira, 8 de março, a partir das 10 horas, hora local em Haia.

*Com informações da ONU News.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Redação do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público. Escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como fonte preferida no Google: clique aqui.

Sua confiança também fortalece nosso trabalho: avalie o JGB

Selecione o JGB e receba nossas notícias com mais destaque.


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.