Na terça-feira (08/03/2022), o presidente dos EUA, Joe Biden, proibiu as importações de petróleo e gás russos para os EUA, aumentando, assim, a pressão das sanções sobre Moscou devido à operação especial russa de desmilitarização da Ucrânia. O que Biden estaria arriscando ao tomar esta decisão?
“A imposição de embargo ao petróleo russo será um pesadelo para os consumidores dos EUA, pois fará o preço do petróleo disparar”, opina Nafis Alam, professor de finanças e diretor da Escola de Negócios da Universidade Monash, na Malásia.
“Rússia é a maior exportadora mundial de petróleo bruto e de produtos petrolíferos combinados, sendo responsável pela exportação de cerca de sete milhões de barris por dia (bpd), ou 7-7,5% do fornecimento global. Além disso, qualquer embargo será contraproducente para a Rússia, uma vez que o aumento dos preços do petróleo e do gás é a maior rentabilidade para as empresas petrolíferas russas, o que significa mais financiamento”, diz o professor.
No final de semana, a CNN projetou que o embargo do Governo Biden ao petróleo bruto russo “provavelmente não teria um impacto dramático sobre os preços em bombas de combustível dos EUA”, uma vez que, “ao contrário da Europa e da Ásia, os Estados Unidos não usam muito petróleo russo”.
De acordo com a Administração de Informações de Energia (EIA) norte-americana, os Estados Unidos importaram 90.000 (bpd) de petróleo da Rússia em dezembro de 2021. Para se ter uma noção, os EUA compraram do Iraque 223.000 bpd, 472.000 bpd da Arábia Saudita e 492.000 bpd do México. E no mesmo período, foram “importados 4,1 milhões de barris de petróleo do Canadá por dia”, aponta CNN.
No entanto, antes da decisão de Joe Biden, em 7 de março os preços de petróleo aumentaram drasticamente para US$ 4,104 por galão (cerca de R$ 20,77), ultrapassando o anterior recorde de todos os tempos de US$ 4,103 registrado em 2008, de acordo com o portal The Hill.
“Qualquer interrupção no fornecimento de petróleo devido ao embargo ao petróleo e gás russos fará subir os preços, o que será doloroso para os consumidores dos EUA. Não só uma maior elevação do preço do combustível, mas também pode fazer subir a inflação dos EUA. Uma vez que a economia mundial ainda está se recuperando da pandemia de COVID-19, qualquer aumento dos preços do petróleo prejudicará a economia global e a dos EUA”, ponderou Alam.
O acadêmico não descarta que o aumento dos preços do petróleo devido ao embargo dos EUA aos hidrocarbonetos russos poderia representar um risco significativo para Biden e o Partido Democrata nas próximas eleições de meio de mandato. Preços de combustíveis sempre tiveram um papel significativo na política dos EUA, e nenhum presidente em exercício buscará entristecer seus eleitores, de acordo com Alam.
“Preços mais elevados de combustível também vão aumentar a inflação, diminuir ainda mais a recuperação econômica e tornar os democratas impopulares”, ressaltou o especialista. Anteriormente, foi informado que as tentativas de países ocidentais de abalar a economia russa podem ter consequências imprevisíveis para eles mesmos.
Anteriormente, foi informado que as tentativas de países ocidentais de abalar a economia russa podem ter consequências imprevisíveis para eles mesmos.
Sanções dos EUA contra a Rússia causam danos enormes para cidadãos da União Europeia
As sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia causam enormes danos aos cidadãos do bloco europeu, disse Dmitry Birichevsky, diretor do Departamento de Cooperação Econômica do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Para Birichevsky, as contínuas medidas restritivas impostas pela UE contra a Rússia são algo fora da realidade. As recentes sanções impostas contra o Kremlin fizeram da Rússia o país mais sancionado do mundo.
“A UE continua a pedir um aumento adicional na pressão das sanções sobre a Rússia. Tal política do Ocidente é baseada em uma lógica completamente divorciada da realidade”, disse Birichevsky.
O funcionário da chancelaria russa disse ainda que Moscou observou repetidamente que as medidas restritivas da UE são ilegítimas e minam os fundamentos do direito internacional. Além disso, para Birichevsky, as sanções impostas contradizem os interesses da própria UE.
“Elas [as sanções] levam a uma ruptura nas cadeias comerciais e produtivas existentes e causam enormes danos aos cidadãos dos Estados membros da UE. Ao mesmo tempo, as medidas restritivas são especialmente contraproducentes em condições de instabilidade econômica global causada pela pandemia de novo coronavírus”, disse o diplomata.
Desde o anúncio de Moscou do reconhecimento das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk (RPD e RPL, respectivamente), uma série de sanções econômicas foram impostas contra a Rússia pelos EUA e seus aliados. O ritmo das medidas restritivas aumentou depois do início da operação militar especial russa na Ucrânia.
Entre as sanções estão o fechamento do espaço aéreo dos EUA e da UE, a censura de mídias estatais russas de países do bloco europeu e a proibição do petróleo russo no mercado norte-americano.
*Com informações da Agência Sputnik Brasil.
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