Dólar corre risco de perder domínio global, alerta Banco Goldman Sachs; Banco Central do Brasil quadruplica reservas em yuan

O congelamento das reservas russas enfraqueceu a confiança dos economistas do grupo Goldman Sachs com relação ao dólar.
O congelamento das reservas russas enfraqueceu a confiança dos economistas do grupo Goldman Sachs com relação ao dólar.

O dólar americano está lidando com alguns dos mesmos desafios que a libra britânica enfrentou em 1900, antes que entrasse em declínio, indicou uma pesquisa da Goldman Sachs.

O banco de Wall Street alerta que o dólar americano poderia perder seu domínio global.

De acordo com a pesquisa, citada pelo portal Business Insider, o movimento de Washington e seus aliados de congelar as reservas de moedas estrangeiras do Banco Central russo gerou preocupações de que os países começassem a abandonar o dólar.

Os desafios nomeados pela Goldman Sachs incluem o fato de que os EUA têm um compartilhamento relativamente pequeno do comércio global em comparação com o domínio de sua moeda nos pagamentos globais.

Outra questão é que o país tem uma deterioração no “Ativo Externo Líquido”, com o crescimento das dívidas externas estrangeiras. Além disso, os países lidam com problemas geopolíticos, como o conflito na Ucrânia.

Os economistas da Goldman Sachs também afirmaram que as grandes dívidas externas dos Estados Unidos estariam ligadas ao fato de os norte-americanos serem grandes importadores de bens, o que poderia ser um problema.

Sanções à Rússia devem diluir domínio do dólar, diz FMI

Medidas restritivas radicais impostas pelos países ocidentais podem contribuir para o surgimento de pequenos blocos monetários baseados no comércio entre certos grupos de estados, destacou a primeira vice-diretora-gerente do FMI, Gita Gopinath

As sanções impostas pelos países ocidentais contra a Rússia podem levar à fragmentação do sistema financeiro global e diluir o domínio do dólar americano, alertou Gita Gopinath, a primeira vice-diretora-gerente do FMI.

O responsável considera que as medidas restritivas radicais impostas pelos países ocidentais após o lançamento da operação especial da Rússia na Ucrânia podem contribuir para o surgimento de pequenos blocos monetários baseados no comércio entre determinados grupos de Estados.

“Já estamos vendo isso com alguns países renegociando a moeda na qual são pagos pelo comércio”, disse Gopinath ao Financial Times na quinta-feira (31/03/2022).

“O dólar continuaria sendo a principal moeda global mesmo nesse cenário, mas a fragmentação em um nível menor certamente é bem possível”, observou ela.

Em 24 de fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin anunciou uma operação militar especial em resposta a um pedido de ajuda dos chefes das repúblicas do Donbass. Ele enfatizou que Moscou não tinha planos de ocupar territórios ucranianos, mas pretendia desmilitarizar e desnazificar o país.

Após essa etapa, os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e vários outros países anunciaram sanções contra pessoas físicas e jurídicas russas.

Banco Central do Brasil quadruplica reservas do yuan chinês

O Banco Central (BC) do Brasil mais do que quadruplicou suas reservas internacionais em yuanes chineses no ano passado, informaram autoridades nesta quinta-feira (31/03/2022).

Enquanto o BC aumentou as suas reservas nacionais de moeda chinesa, houve uma redução nas participações em dólares e euros.

O objetivo, escreve a Reuters, é construir reservas brasileiras com a moeda do seu maior parceiro comercial: a China.

A moeda chinesa, que até 2018 estava ausente das reservas cambiais da maior economia da América Latina, subiu para 4,99% das participações do BC brasileiro no final do ano passado.

Com isso, tornou-se a terceira maior parcela das reservas do Banco Central, um pouco atrás do euro, que caiu para 5,04% no ano passado, de 7,85% em 2020. E também ainda atrás das reservas em dólar, que caíram para 80,34% do total.

A mudança ressalta a crescente importância econômica da China para o Brasil, onde representa 28% do comércio internacional, mais que o dobro dos Estados Unidos.

O Brasil também aumentou a exposição das reservas a outras moedas, incluindo o iene japonês, a libra esterlina, o dólar canadense, o dólar australiano e ouro, frequentemente usado como hedge contra outros ativos financeiros.

Já os retornos da carteira caíram 0,62%, o pior desempenho desde 2015, principalmente devido à força do dólar norte-americano em relação a outras moedas da carteira.


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