Ícone do rap na Bahia, Viktor Arkad lança o EP A de Fora é Minha e marca retorno após 13 anos

O rapper baiano Viktor Arkad, anteriormente conhecido como Victor, do grupo Atitude Diferenciada, lançou na sexta-feira (29/04/2022) o EP “A de Fora é Minha”, marcando seu retorno oficial à atividade musical após um hiato de 13 anos. Disponibilizado nas principais plataformas digitais, o trabalho reafirma a relevância histórica do artista no hip hop baiano e apresenta uma síntese madura de suas referências estéticas, musicais e sociais, combinando tradição, experimentação e identidade periférica.

Composto por seis faixas, o EP reúne uma ampla diversidade de gêneros, como rap, ragga, reggae, trap, arrocha, pagode, funk e afrobeat, dialogando ainda com influências de samba reggae, música eletrônica e grime. A proposta sonora evidencia a trajetória do artista e sua capacidade de transitar entre estilos sem perder a centralidade do rap como eixo narrativo e político de sua obra.

Produção musical e colaborações

O EP “A de Fora é Minha” foi produzido pela MPN Records, com duas faixas assinadas em parceria com Faustino Beats. O projeto conta com participações de Thassio, DJ Poeira e Miedson, além do trabalho criativo de Raonir Braz e André That Hora, responsáveis pela condução artística do selo. As inserções vocais de Therr Santana e Bia Porto ampliam a paleta sonora do disco e contribuem para a construção de uma obra coesa e plural.

A captação de voz da faixa “#VVV” ficou a cargo de Vovô no Beat (Braian, integrante do grupo Filosofia de Rua), reforçando o diálogo do EP com nomes e referências históricas do rap nacional. O conjunto dessas colaborações confere ao trabalho densidade técnica e simbólica, situando o lançamento como um marco na trajetória de Viktor Arkad e no cenário do rap baiano contemporâneo.

Identidade visual e discurso periférico

Sem abdicar do discernimento crítico, o EP utiliza metáforas futebolísticas como recurso narrativo e simbólico, criando identificação imediata com a periferia urbana. A identidade visual do projeto foi desenvolvida pelo designer Rafael Oliveira, com fotografia de Rafael Ramos, sob direção criativa de Thássio Reis, compondo uma estética alinhada ao conteúdo musical e ao posicionamento artístico do rapper.

Essa integração entre som, imagem e discurso reforça a coerência do projeto e evidencia uma preocupação editorial que vai além da música, tratando o EP como uma obra conceitual, ancorada em vivências reais e em uma leitura social consistente.

Faixas de destaque e variações rítmicas

Entre os destaques do EP está “Eu & Você”, definida como uma love song que funde arrocha e trap, resultando em uma sonoridade singular e pouco explorada no rap nacional. Já a faixa “Sextou” aposta em uma combinação de afrobeat, reggaeton e samba reggae, evidenciando a influência da música afro-baiana e caribenha no repertório.

O rap clássico aparece de forma mais explícita em “Minha Fé”, que incorpora beat boombap e elementos de samba, reafirmando a habilidade lírica de Viktor Arkad e sua conexão com a tradição do hip hop. As faixas “Game On”, com elementos de funk, trap, pagode e música eletrônica, e “#VVV”, marcada por variações rítmicas e rimas versáteis com participação de Bia Porto, ampliam a diversidade estética do projeto. O EP se encerra com “Aqui”, que completa o repertório com sofisticação sonora, também assinada pela MPN Records em parceria com Faustino Beats.

Retorno, maturidade artística e impacto no rap baiano

O lançamento de “A de Fora é Minha” representa mais do que o retorno de Viktor Arkad ao mercado fonográfico: simboliza a retomada de uma voz histórica do rap baiano em um contexto profundamente transformado pela digitalização da música e pela fragmentação de gêneros. O EP se destaca por conciliar memória, identidade e inovação, sem recorrer a fórmulas oportunistas ou tendências passageiras.

Do ponto de vista artístico, o trabalho evidencia maturidade lírica e musical, com um discurso que preserva o compromisso social do rap, ao mesmo tempo em que dialoga com novas linguagens e públicos. A escolha por múltiplos gêneros pode ser lida como estratégia de expansão estética, mas também como afirmação da diversidade cultural que sempre caracterizou a música produzida nas periferias baianas.

Institucionalmente, o EP reforça a importância de selos independentes, como a MPN Records, na preservação e renovação do rap nacional. A ausência de grandes gravadoras no projeto não se apresenta como limitação, mas como condição para maior autonomia criativa e fidelidade ao percurso artístico do rapper.


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