Câmara dos Deputados aprova plano nacional para dar acesso a práticas esportivas

O relator da proposta foi o deputado Afonso Hamm (PP-RS).
O relator da proposta foi o deputado Afonso Hamm (PP-RS).

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (28/06/2022) o Plano Nacional do Esporte (PNEsporte), que tem o objetivo de assegurar o acesso da população às práticas esportivas. O projeto agora segue para o Senado.

Entre as inovações, a proposta estabelece um mínimo de três aulas de educação física por semana na educação básica.

Já os gastos com políticas públicas que promovam o esporte e as atividades físicas poderão ser considerados investimentos em saúde. Com isso, o esporte poderá receber mais recursos de emendas parlamentares, que devem ter ao menos metade dos valores destinados à saúde.

A proposta ainda veda o contingenciamento de recursos do esporte advindo da arrecadação de loterias federais.

Desafio

O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Afonso Hamm (PP-RS), ao Projeto de Lei 409/22, do Poder Executivo. “Seu maior desafio será alterar a concepção esportiva vigente, essencialmente voltada ao esporte de rendimento, para uma perspectiva direcionada ao esporte educacional e ao esporte de participação”, afirmou o relator.

O plano inclui ações voltadas a todo o ciclo de vida das pessoas, práticas esportivas mais pluralistas, democráticas e inclusivas em escolas e espaços comunitários, bem como o foco na qualidade de vida que deve permear a política pública esportiva.

Educação física nas escolas

O PNEsporte tem o objetivo de valorizar os profissionais de educação física, assegurando orientação, estruturas e equipamentos adequados. A prática de educação física escolar deverá ser promovida a todos os alunos da educação básica, no mínimo três vezes por semana, de acordo com normas definidas pela Base Nacional Comum Curricular.

“Se pretendemos constituir uma política pública esportiva consistente e duradoura, precisamos incentivar a prática e a cultura de educação física e do esporte desde os anos iniciais da vida”, argumentou o relator.

Afonso Hamm citou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de que apenas 28% dos estudantes de 13 a 17 anos são fisicamente ativos. Os dados de 2019 também indicam que 21% dos estudantes não tiveram nenhuma aula de educação física e 41% tiveram apenas um dia de aula por semana.

Quadras esportivas

Outra meta é criar escolas esportivas que atendem alunos dos anos finais do ensino fundamental. A política pública é inspirada no Ginásio Experimental Olímpico, da prefeitura do Rio de Janeiro.

O plano ainda prioriza o investimento de recursos públicos em quadras de esportes cobertas e em condições mínimas de segurança e funcionamento, com disponibilidade dos insumos indispensáveis para a prática do desporto educacional.

Metas de desempenho

O substitutivo evita que as colocações finais e medalhas em competições olímpicas e de alto rendimento sejam utilizadas para contratos entre o Ministério do Esporte e entidades como o Comitê Olímpico Brasileiro. Como meta de desempenho, o texto estabelece que pelo menos 70% dos esportes do País sejam qualificados para os Jogos Olímpicos.

“O repasse de valores expressivos ao longo de um ciclo olímpico para entidades esportivas enseja a contrapartida como forma de avaliar o desempenho do País”, argumenta Afonso Hamm. “Sabemos que critérios baseados em colocações finais podem vir a ser injustos, em determinadas ocasiões, dada a imprevisibilidade intrínseca do esporte.”

Incentivo ao esporte

O plano insere ações específicas para proteger, reconhecer e incentivar os esportes criados no Brasil.

Outras ações do plano promovem a assistência para transição da carreira do atleta, bem como a promoção de campanhas de valorização do esporte e de incentivo da prática de atividades físicas para idosos.

Futebol

O plano também tem a meta de manter o protagonismo do País no futebol masculino e feminino dos Jogos Olímpicos e dos torneios mundiais, assim como do futsal e do futebol de areia.

Para isso, a meta será fortalecer as finanças das entidades administrativas e clubes de futebol e aumentar a segurança e o conforto do torcedor nos grandes eventos de futebol.

Jogos para surdos

Os Jogos para Surdos, conhecidos como Surdolimpíadas, e competições nas áreas rurais e de comunidades indígenas foram incluídos entre os esportes de rendimento apoiados pelo Plano Nacional do Esporte. Eles contarão com metas de indicadores e ações.

Revisão periódica

Segundo o texto aprovado, o Plano Nacional do Esporte deverá ser monitorado e avaliado periodicamente pelas comissões de Educação e do Esporte da Câmara dos Deputados e pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado.

Financiamento

O PNEsporte será financiado por 30% da parcela da arrecadação das loterias federais destinada ao Ministério do Esporte, o que corresponde a quase R$ 415 milhões.

Os projetos para educação física no ensino básico e o incentivo da prática de atividade física pela população passarão a ter prioridade na Lei de Incentivo ao Esporte.

O Ministério da Cidadania também deverá estimular o financiamento do esporte para alcançar os objetivos do PNEsporte.

Também está previsto o estímulo ao aumento e à criação de leis de incentivo ao esporte estaduais, distritais e municipais.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.