Chefe de direitos humanos diz que golpe militar paralisou economia em Mianmar

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos declarou, esta terça-feira (14/06/2022), que o golpe militar de Mianmar prejudicou a economia do país.

A situação lançou milhões de pessoas para um ciclo de pobreza, deslocamento e abusos.

Bens essenciais

As declarações de Michelle Bachelet foram feitas na 50ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, durante uma atualização sobre o país do sudeste da Ásia. Para ela, os danos causados à economia levaram “milhões a perder seus empregos ou fontes de renda no ano passado”.

O valor da moeda nacional despencou e os preços de bens essenciais aumentaram.

Bachelet avisou que o mundo vem testemunhando “o uso sistemático e generalizado de táticas contra civis, em relação aos quais há motivos razoáveis para acreditar na prática de crimes de guerra e contra a humanidade”.

Pelo menos 1,9 mil pessoas foram mortas desde a ação militar ocorrida em fevereiro de 2021. Mais de 75% dos 13,5 mil detidos continuam na situação desde que os militares assumiram o poder.

Resultados

Bachelet confirmou ainda que 1 milhão de pessoas foram deslocadas internas, enquanto cerca de 14 milhões precisam urgentemente de assistência humanitária.

A chefe de direitos humanos disse que as interrupções da internet e o assédio e acusação de jornalistas e outras pessoas “limitaram severamente os fluxos de informações e o espaço cívico”.

Bachelet ressaltou que o plano de cinco pontos da Associação de Nações do Sudeste Asiático, Asean, para lidar com a crise política “parece ter produzido resultados limitados” desde sua adoção em abril de 2021.

O pedido feito ao bloco é “que continue se engajando com todas as partes interessadas nacionais relevantes, incluindo representantes do Governo de Unidade Nacional e da sociedade civil”.

Ajuda Humanitária

Bachelet pediu ainda que os envolvidos na questão adotem uma ação sustentada e concreta para conter a violência.

Neste sentido, ela pediu que parem de imediato “os ataques a civis e a queima de vilarejos”.

Michelle Bachelet considera a proteção dos civis “um imperativo absoluto, e o acesso deve ser garantido para que a assistência humanitária vital chegue a todas as comunidades”.

Para a alta comissária, qualquer solução para a crise deve ser construída com base em amplas consultas com todas as partes interessadas no movimento democrático e com grupos étnicos minoritários.

A chefe de direitos humanos considera urgente que haja um ambiente em que as discussões políticas sejam produtivas para avançar com essa prioridade.

*Com informações da ONU News.


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