FAO instrui ministros do G20 para evitar crise alimentar por falta de produtos

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, listou as ações essenciais para aumentar a resiliência da segurança alimentar global na reunião de ministros da Agricultura do grupo das 20 maiores economias do mundo, o G-20, que inclui o Brasil. O evento ocorre até esta quinta-feira (28/09/2022), em Bali, Indonésia.

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, pediu prioridade em sistemas de alerta precoce no país, que é um dos maiores importadores mundiais de trigo e farinha. A agência advoga maior flexibilidade em temas como produtividade sustentável e soluções inovadoras para conter as restrições de fornecimento de fertilizantes inorgânicos.

Disponibilidade alimentar

O chefe da FAO diz que a guerra na Ucrânia agravou a crise dos alimentos em países mais carentes. O pedido à comunidade internacional é que impeça que a situação atual se transforme numa crise por falta de comida.

A guerra na Ucrânia levou a restrições de acesso aos grãos ucranianos, aos óleos de cozinha e a outros alimentos vitais para os países mais vulneráveis.

Qu Dongyu elogiou a Iniciativa de Grãos do Mar Negro como “um importante passo”. Os carregamentos feitos, graças ao acordo intermediado pela ONU, chegam a 5 milhões de toneladas de alimentos. Mais de um quarto dos embarques foi destinado a países de baixa renda.

Para ele, é preciso ainda melhorar o acesso alimentar dos países mais vulneráveis. Com preços dos alimentos caindo há cinco meses, a realidade é que os custos ao consumidor e a inflação estão subindo “com implicações arrasadoras para a segurança alimentar e a nutrição global”. A FAO está preocupada ainda com a piora de temperaturas extremas que “alimenta a destruição e o fracasso das colheitas em todo o mundo”.

Trigo e soja

Dongyu aponta que apesar das boas previsões para os mercados de trigo e soja, as perspectivas são menos positivas para milho e arroz. Os fertilizantes permanecem com uma oferta restrita e volátil.

Esse cenário exige mais ação “para garantir que todas as pessoas possam comprar alimentos seguros e nutritivos em quantidades suficientes para atender às suas necessidades e preferências alimentares e ter uma vida saudável”.

Para impulsionar a resiliência a médio prazo, ele disse aos ministros que é crucial promover a inovação, investir em infraestrutura para reduzir a desigualdade, além de se baixar a perda e o desperdício de alimentos. No curto prazo, a sugestão é que se melhore o acesso à comida.

A  FAO anunciou uma proposta de um Mecanismo de Financiamento à Importação de Alimentos. A agência elogiou o Fundo Monetário Internacional, FMI, por declarar a realidade atual uma “janela de choque alimentar” e incluir nos instrumentos de empréstimos de emergência.

Crise climática

O alvo do mecanismo que permite o acesso a fundos é garantir que os recursos cheguem a 62 nações de baixa renda que importam alimentos. Nelas, cerca de 1,8 bilhão de pessoas apresentam necessidades mais urgentes.

O chefe da ONU considera importante alavancar as exportações da Ucrânia e da Rússia por meio da Iniciativa de Grãos do Mar Negro. Outra medida essencial é melhorar a disponibilidade de fertilizantes por meio de certificados emitidos pelos Estados Unidos e das novas diretrizes da Comissão Europeia.

O diretor-geral da FAO destacou conflitos, desacelerações  e quebras causadas pela pandemia como fatores que associados à crise climática foram os principais impulsionadores das crises atuais e do futuro.

*Com informações da ONU News.


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