Salvador: Carlinhos Brown prepara performance histórica dos Zárabes para a abertura do ‘II Festival Internacional de Percussão’

Após abrir o ano lançando dois novos álbuns, ser condecorado com a Medalha Luiz Gama (uma das principais honrarias concedidas pelo IAB), lançar o seu primeiro musical infantil, e se apresentar no Carnaval de Londres com o primeiro trio totalmente sustentável da história, Carlinhos Brown se prepara para receber, nos dias 23, 24 e 25 de setembro de 2022, no Candyall Guetho Square, expoentes do cenário percussivo mundial no LALATA – II Festival Internacional de Percussão. Para deixar a festa ainda mais especial, o multi-instrumentista vai presentear o público com uma performance histórica: depois de quase dez anos sem desfilar nas ruas, os Zárabes marcam a abertura do LALATA, mostrando a força percussiva que transformou a história do Candeal com ritmos nascidos das experimentações entre este artista que reposicionou a música percussiva no cenário nacional, e os músicos do bairro.

O II Festival Internacional de Percussão é uma realização da Pracatum, com patrocínio do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com concepção e direcionamento artístico da empreendedora Cultural Selma Calabrich, diretora executiva da Escola de Música e Tecnologia que completa 28 anos de atuação e transformações educativo-sociais no bairro do Candeal.

Mais uma vez a diversidade e a originalidade da música instrumental percussiva irão posicionar a capital baiana como centro de produção, difusão e intercâmbio dessa arte, contemplando três estilos de percussão contemporânea: de Rua, de Efeito e Eletrônica. Mais do que um evento para ser vivido e celebrado pelo público, o LALATA é a celebração da história do bairro do Candeal, que há muitas gerações vem revelando ao mundo sua musicalidade, nascida de uma população visceralmente ligada às suas matrizes africanas e que tem no tambor seu ícone de libertação. Além disso, o festival faz o devido reconhecimento à música instrumental percussiva, traço cultural intrínseco da Bahia.

A abertura do LALATA acontece dia 23 com Carlinhos Brown e os Zárabes, às 16h. No mesmo dia, sobem ao palco do Ghetho Square SKLAU – Manifesto ao Tambor, com Mestre Mario Pam (Salvador); Bira Lourenço e Catatau (Rondônia) com o show Sons de Beira; Japa System (Salvador); o senegalês Massamba Diop; e a banda Trietá (Salvador).

No dia 24, o II Festival Internacional de Percussão traz o projeto Lactomia (Salvador) abrindo a programação às 15h, seguido de Dede Mundo (Salvador); Pandeiro Repique Duo (Rio de janeiro); Buginganga (Salvador); Orlando Costa (Salvador); Lobo Nuñes (Uruguai); e Atabasabar (Salvador), com Marcus Musk.

O terceiro dia de festival abre com a Roda de Timbau do Candeal, também às 15h, e na sequência temos Território Sonoro (Salvador); Michele Abu (São Paulo); Aguidavi do Jêje (Salvador); Marcos Suzano (Rio de Janeiro); Roberto Vizcaino (México); e, fechando a noite, Carlinhos Brown. E tudo isso sob um cenário exclusivo assinado pelo consagrado artista plástico baiano Bel Borba, que vem buscando inspiração nas especificidades da comunidade do Candeal para cumprir essa missão.

Carlinhos Brown e os Zárabes

Tudo começou com o movimento musical de vanguarda Vai Quem Vem, que funcionou, nos anos 1980, como um laboratório na criação de sons e de novos instrumentos, deixando um legado de mais de 30 ritmos e desencadeando um processo de invenção rítmica na qual se destacam inovações performáticas e instrumentais. Do movimento, que consolidou o timbau como uma marca da estética musical do bairro Candeal, surgiu o Zárabes em 1995, onde centenas de percussionistas se reúnem para uma homenagem à cultura muçulmana, presente na formação étnica e cultural de África, que também passou parte de sua herança para a Bahia.

Intérprete de cultura, criador de movimentos, compositor de versos, instrumentos e sonoridades e nome fundamental para a música e a cultura brasileira e mundial, Carlinhos Brown traçou uma potente trajetória artística que dedica aos mestres encontrados no caminho, tendo lugar cativo e especial o Mestre Pintado do Bongô. “Vindos de sua filosofia vital e musical, os ritmos são ativos da natureza, como as árvores, motores que fazem com que a roda da Terra gire. O cosmos escuta quando soa a batucada, e então tudo ganha mais chances de fluir naturalmente”, pontua o mestre rítmico que já formou mais de 15 mil percussionistas pelo mundo.

Estando entre os precursores do movimento Axé Music, criou, também, a Timbalada, a Bolacha Maria, a Pracatum, o Guetho Square, o histórico e lendário estúdio Ilha dos Sapos, o Museu du Ritmo, o Selo/Editora Candyall Music, entre outros milhares de projetos, além de contabilizar mais de 800 canções registradas e mais de mil gravações cadastradas no banco de dados do Ecad – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição. É ainda o primeiro músico brasileiro a fazer parte da Academia do Oscar e a receber os títulos de Embaixador Ibero-Americano para a Cultura e Embaixador da Justiça Restaurativa da Bahia.

Há 28 anos a Pracatum atua através de uma metodologia participativa, comunitária, articulando com parceiros, desde empresas, órgãos governamentais e pessoas físicas, que mobiliza um conjunto de possibilidades e parcerias. Afinal, uma comunidade forte é aquela que tem o coletivo como ideal.


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