Salvador: Videodança ‘Ela Não é Minha’ estreia com exibição no Cinema do Museu e temporada no canal ‘Tamo Juntas’

Inquieta com as questões sócio-políticas ligadas à condição da mulher na sociedade brasileira e as violências simbólicas decorrentes do machismo, a artista Thaís Bandeira, que além de dançarina, é mãe e doula, em comunhão com os multiartistas Luisa Muricy (atriz, bailarina e cantora), Luiz Antônio Sena Jr. (ator, dramaturgo e cantor) e Marcelo Galvão (bailarino e coreógrafo) lançam na próxima quinta-feira (08/09/2022), a videodança ‘Ela Não é Minha’, com exibição no Sala de Arte Cinema do Museu, em Salvador (Corredor da Vitória).

A exibição é acompanhada de bate papo facilitado pela mediadora cultural Poliana Bicalho. Após o lançamento, a videodança ficará em temporada virtual até 25 de setembro, no canal da organização feminista Tamo Juntas, com a qual a iniciativa artística tem uma parceria.

Ela não é minha, criada coletivamente sob a direção de Thaís Bandeira, mescla a linguagem de dança, teatro e audiovisual para refletir e criticar o sistema patriarcal, que se sustenta a partir do controle e da inferiorização do corpo feminino, o que desencadeia uma série de violência com diversos níveis de danos.

“Nos interessa gerar uma comunicação direta, que desconcerta e quebra a naturalização da violência. Por isso, desenvolvemos uma obra audiovisual que mescla o teatro e a dança. A palavra para uma comunicação sem contorno e sem resvalo. A poética da dança permite ampliar a sensibilidade e a percepção da temática”, descreve Bandeira.

A cenografia – uma casa simples e outra em ruínas, uma metáfora ao ruir da estrutura patriarcal, potencializam o discurso de combate ao machismo e à misoginia. Situações de violência simbólica estão presentes nesta narrativa, como na cena em que a mulher é constantemente interrompida em sua fala, o assédio sexual disfarçado de elogio, nas situações de afeto entre o casal que logo se transformam em tensão, até a ameaça direta de morte, uma forma grave de violência.

Elas & Elos

Diferentes níveis de agressão se configuram como processos de violência no cotidiano das mulheres, não é preciso que ocorra o “tapa” para ser considerada uma agressão. De acordo com a Lei Maria da Penha, aprovada em 2006, há cinco tipos de violência doméstica e familiar: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.

Por este motivo, Thaís Bandeira soma as potências discursivas do Ela Não é Minha a outro projeto sob sua idealização, o projeto Elas & Elos – que está em sua segunda edição. Além de gerar um produto artístico-cultural, convoca as pessoas a vivenciarem essa temática no corpo através das oficinas de dança e de um debate crítico através das rodas de conversa com mulheres e homens.

Estas atividades que integram o Elas & Elos ocorrerão nos dias 10 e 17 de setembro, a partir das 14h até às 17h, no Centro Cultural de Plataforma e Alagados, respectivamente, para pessoas a partir de 15 anos, trabalhadores em geral, moradores dos bairros de Plataforma, Alagados e arredores.

As oficinas de dança, ministradas por Luísa Muricy, Luiz Antônio Sena Jr, Marcelo Galvão e Thaís Bandeira, oferecem aos participantes a possibilidade de corporificar os temas trazidos pela obra artística. Após a oficina será exibido a videodança Ela Não é Minha.

Em seguida, ocorrem as rodas de conversa, momento em que o público se encontra mobilizado emocionalmente pela abordagem artística dos temas. A roda de mulheres, conduzida pela advogada e copresidenta da organização Tamo Juntas, Letícia Ferreira, tem caráter instrutivo e jurídico de fácil assimilação sobre os direitos e respeito à mulher, orientações para o reconhecimento da violência e encaminhamento legal.

“Reconhecer é uma etapa fundamental do enfrentamento e rompimento do ciclo da violência. A aproximação com a Tamo Juntas traz força e potência para a discussão pretendida pela realização do projeto. Esta é a tônica deste encontro”, declara Thaís Bandeira.

Já a roda de homens, conduzida pelo terapeuta Carlos Aragão, com experiência em mediar grupos de homens para a auto reflexão e responsabilização da agressão contra a mulher, tem caráter de sensibilização e despertar a consciência sobre o ciclo da violência contra o feminino. Um olhar para dentro, facilitado por um terapeuta experiente na condução de grupos de homens dispostos a se revisarem e se libertarem dessa toxicidade. “Se curarmos os homens, curamos a humanidade”, afirma Aragão, que é terapeuta, reikiano.

Os artistas envolvidos na criação da videodança também farão parte destes momentos de diálogos junto aos demais participantes. Vale pontuar que, entre os dias 13 e 15 de setembro, essas mesmas rodas e oficinas ocorrerão no circuito virtual através da plataforma de conferência ZOOM. O projeto Ela Não é Minha tem o apoio financeiro do  Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia.


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