No ano do bicentenário da Independência do Brasil, o Museu da Casa Brasileira, instituição localizada em São Paulo e administrada pela Fundação Padre Anchieta, abre para o público na sexta-feira (22/09/2022), a partir das 10 horas, a exposição ‘Independências: Casas e Costumes no Brasil’. A nova mostra apresenta um retrato da cultura material brasileira junto a registros das diferentes arquiteturas ligadas às três matrizes culturais que constituem a base de nossa formação sociocultural: a do colonizador português, a dos africanos e a dos indígenas.
Organizada no contexto de lançamento da série IndependênciaS da TV Cultura, a mostra propõe uma relação entre móveis, objetos e artefatos, com roupas e indumentárias selecionadas a partir dos figurinos produzidos para as gravações dos episódios. Um recorte que inclui desde as roupas características da corte imperial — criadas pelo estilista Alexandre Herchcovitch -, àquelas das distintas etnias chegadas pelo tráfico de africanos escravizados, elaboradas pela pesquisadora e figurinista Jennifer Ramos dos Santos, passando pelo conjunto de peças e indumentárias dos povos originários.
O conteúdo da mostra foi organizado por Giancarlo Latorraca, diretor técnico do MCB, em diálogo com as equipes técnicas do Museu, contando com a participação curatorial da historiadora especialista na História da escravidão e das Relações raciais nas Américas, Ynaê Lopes para o módulo da afrobrasilidade e do escritor, ambientalista e tradutor Kaká Werá Jecupé para o módulo dos povos originários; ambos também trabalharam como revisores críticos do roteiro da série da TV Cultura.
“Essa exposição sinaliza um ótimo caminho de interação entre a Fundação Padre Anchieta e o Museu da Casa Brasileira, por propor um alinhamento de abordagem cultural nos respectivos campos de atuação, o da comunicação da televisão e o museológico” comenta José Roberto Maluf, Presidente da Fundação Padre Anchieta.
“Para o MCB, que se compromete a contar a história da nossa cultura por meio dos objetos, em uma leitura expandida para os campos do design e da arquitetura, essa mostra marca um ponto de inflexão importante na necessária revisão sobre a representatividade da casa brasileira memorizada historicamente pela instituição”, diz Giancarlo Latorraca.
Outro ponto importante da exposição “Independências: Casas e Costumes no Brasil” é a apresentação de uma linha do tempo com enfoque nos movimentos sociais invisibilizados pelas narrativas da historiografia oficial: conflitos e revoltas com protagonismo dos povos indígenas, da população afrodescendente, de mulheres e das camadas populares como um todo.
Em cartaz até o fim de novembro, a mostra é uma oportunidade para se conhecer um pouco da história das origens do desenho da materialidade cultural brasileira, sua variedade de formas de habitar, de vestir e de construir objetos que espelham as múltiplas identidades sociais ligadas ao período das lutas por independência no país, desde o final do século XVIII até a abolição da escravatura, em 1888.
Coquetel de abertura
No dia 23 de setembro, sexta-feira, a partir das 19h, o Museu da Casa Brasileira realizará um coquetel de lançamento da exposição para convidados e jornalistas. Na ocasião, o Trio Brasil Jazz Sinfônica fará uma apresentação especial com um repertório inspirado na temática da Independência. Além disso, o público ainda poderá conferir um dos episódios da série ‘IndependênciaS’ da TV Cultura.
Sobre Giancarlo Latorraca
Diretor técnico do Museu da Casa Brasileira. Arquiteto, atualmente, é doutorando pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, na área de Design, com linha de pesquisa sobre teoria e história do design e orientação da Professora Dra. Maria Cecilia Loschiavo dos Santos.
Sobre Ynaê Lopes
Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (2012), Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (2007), bacharel e licenciada em História pela USP (2002). Atualmente é Professora Adjunta no Instituto de História da Universidade Federal Fluminense – UFF. Realiza Pesquisa na aérea de História da América, com ênfase em Escravidão Moderna e Relações Étnico-Raciais nas Américas, atuando principalmente nos seguintes temas: escravidão, América ibérica, formação dos Estados Nacionais, cidades escravistas, relações étnicas raciais e ensino de história. Atualmente faz parte do Comitê Executivo do BRASA e é uma das Editoras da Revista Tempo -UFF.
Sobre Kaká Werá
Notabilizou-se pelo empreendedorismo social; desenvolvendo projetos sustentáveis, criando tecnologias sociais que aliaram arte, valorização de culturas e cooperatividade. Tornou-se um dos precursores da literatura indígena no Brasil e uma autoridade na difusão dos saberes e valores ancestrais. Destaca-se hoje no desenvolvimento de pessoas e como facilitador de processos de autoconhecimento, tendo por base a sabedoria da tradição tupi-guarani. Aprofunda e amplia seus estudos unindo a experiência pessoal, à antropologia cultural e às iniciações espirituais em filosofias ancestrais do ocidente e oriente.
Sua trajetória é marcada pelo desenvolvimento de projetos e ações em ecologia, sustentabilidade e responsabilidade social em empresas e instituições como Natura, Cia Suzano, Bovespa, entre outras. É Integrante do Colégio Internacional dos Terapeutas (CIT) e educador na Unipaz (Universidade Holística da Paz) há mais de 20 anos.
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