Em Berlim, milhares protestam contra o Governo Scholz e pedem o fim das sanções russas; População rejeita alinhamento do país com interesses dos EUA

Chanceler da Alemanha, Olaf Scholz e Antony J. Blinken, secretário de Estado dos EUA. População da germânica protesta em defesa da normalização das relações com a Rússia.
Chanceler da Alemanha, Olaf Scholz e Antony J. Blinken, secretário de Estado dos EUA. População da germânica protesta em defesa da normalização das relações com a Rússia.

Milhares de manifestantes se reuniram do lado de fora do parlamento alemão para protestar contra o governo e pedir às autoridades que levantem as sanções contra a Rússia.

As informações foram confirmadas pelo correspondente da Sputnik em Berlim e diversos vídeos que circulam nas redes sociais estimam que havia ao menos 10 mil pessoas na manifestação.

O ato, intitulado “Nosso país em primeiro lugar”, foi convocado pelo partido de oposição de direita, o Alternativa para a Alemanha (AfD).

Dezenas de milhares de alemães se reuniram hoje em Berlim contra as sanções anti-russas, os preços da energia, a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e pelo fim do conflito na Ucrânia.

Em discurso durante o ato, o colíder do partido, Tino Chrupalla, acusou o governo alemão de travar uma guerra contra seu próprio povo ao concordar com as sanções contra a Rússia.

Ele também afirmou que “o preço do gás se tornará normal novamente quando comprarmos gás barato da Rússia”.

Para ele, importar gás dos Estados Unidos e dos Emirados Árabes Unidos, como a Alemanha planeja fazer, é “moralmente suspeito”.

Os participantes culparam o governo por preços desenfreados, políticas sociais inadequadas e pediram que as sanções ao fornecimento de petróleo e gás russo fossem suspensas.

Alguns ativistas podiam ser vistos agitando bandeiras alemãs e russas e carregando cartazes que diziam: “Quero gás e petróleo russos” e “Aqueles que permanecerem em silêncio hoje congelarão amanhã”. Outros seguravam cartazes em alemão e em russo.

Em setembro, o partido AfD anunciou sua campanha de protesto para expressar insatisfação com o forte aumento dos preços de alimentos e energia na Alemanha e exigir o fim da guerra econômica, o levantamento das sanções anti-russas e o comissionamento do gasoduto Nord Stream 2 (Corrente do Norte 2).

Os primeiros protestos foram realizados nas cidades alemãs de Leipzig e Magdeburg, entre outras, e reuniram milhares de pessoas.

É assim que parece de cima: Milhares de pessoas na demonstração AfD em Berlim. Queremos a mudança de política.

Os países ocidentais aumentaram a pressão das sanções sobre a Rússia desde o início da operação especial na Ucrânia.

A interrupção nas cadeias de abastecimento levou a preços mais altos de combustíveis e alimentos em toda a União Europeia (UE), levando a inflação a níveis recordes e fazendo com que o custo de vida disparasse.

Alemanha está dividida: políticos estaduais voltam a apelar para Berlim negociar com Rússia

A economia alemã é incapaz de superar o déficit de energia e o aumento súbito dos preços por causa das sanções impostas à Rússia, por isso as autoridades alemãs devem de imediato apelar para retomar as negociações de paz, afirmam políticos do estado federal alemão da Saxônia, citados pelo canal de televisão N-TV.

17 burgomestres e ober-burgomestres (prefeitos), junto com ativistas do partido Eleitores Livres, assinaram uma declaração oficial em que apoiam a posição do primeiro-ministro da Saxônia, Michael Kretschmer, sobre a retoma das negociações com a Rússia. Além disso, os políticos insistem em estudar de forma objetiva os danos reais causados pelas sanções antirussas à economia alemã.

“Isso é uma loucura. Conversamos com pessoas que não sabem como vão pagar as contas da eletricidade, entendemos claramente as suas preocupações e levamo-las muito a sério”, salientou o burgomestre da cidade de Bischofswerda, Holm Grosse.

“O primeiro-ministro tem muita razão ao se manifestar a favor do descongelamento da crise. É que nós, alemães, temos a responsabilidade histórica de fazer todo o possível a fim de pausar o conflito e, na melhor hipótese, pôr fim a ele”, afirmou o ober-burgomestre da cidade de Grimma, Matthias Berger.

Berger acrescentou que “os cidadãos alemães não entendem por que é que o governo só fala do fornecimento de armas, em vez da diplomacia”.
Após o início da operação especial russa para desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia, o Ocidente tomou o lado de Kiev no conflito e endureceu a pressão sancionatória contra Moscou, tendo começado a fornecer armas pesadas à Ucrânia. Contudo, tais medidas afetaram o próprio Ocidente mais do que a Rússia. Assim, a imposição das sanções à Rússia provocou o aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis por toda a Europa.

Chanceler Olaf Scholz admite que Alemanha não pode interromper todas as importações de gás russo

A Alemanha não pode parar de importar gás da Rússia, apesar de estar recebendo apenas pequenos volumes neste momento, admitiu o chanceler alemão, Olaf Scholz, nesta quinta-feira (1º).
Quando questionado por que a Alemanha “simplesmente não desliga a torneira russa”, ele admitiu que há países que “não podem encontrar uma alternativa tão rapidamente para si mesmos”.

“Podemos dizer que superaremos essa situação. Mas será mais difícil se recusarmos [todas as importações do gás russo]. Não devemos complicar nossas vidas desnecessariamente, esta é minha convicção pessoal”, afirmou Scholz, em evento na cidade de Essen, transmitido ao vivo no portal oficial do governo.

O chanceler disse acreditar capacidade da Alemanha de sobreviver à crise energética. Segundo ele, Berlim se preparou para o novo cenário ao promover o armazenamento de gás, estimular usinas a carvão e construir terminais de gás natural liquefeito (GNL) em tempo hábil.

Apesar disso, o chanceler apontou que a Alemanha precisará procurar outros fornecedores do combustível para deixar de ser dependente da Rússia.

“Seria muito mais fácil se houvesse um gasoduto, que está abandonado há muitos anos, passando pela França, talvez pela Itália. Veremos mudanças se os países do sul da Europa encontrarem novas fontes [de importação de gás], da África, da Ásia, de onde eles puderem obter gás, sem a participação da Rússia. Isso vai sustentar tanto a Alemanha como o mercado mundial”, sugeriu o chanceler.

Desde o início da operação militar especial russa na Ucrânia, no dia 24 de fevereiro, os EUA e seus aliados intensificaram a aplicação de sanções contra Moscou. Entre as medidas estão restrições econômicas às reservas internacionais russas e a suas exportações de petróleo, gás, carvão, aço e ferro.

Porém as medidas causaram problemas no próprio Ocidente, provocando alta nos preços dos alimentos e dos combustíveis, o que resultou na disparada da inflação.

A Alemanha, que está entre os países que fortaleceram a pressão das sanções contra Moscou, enfrenta uma crise energética em razão do boicote à Rússia.

O Kremlin classifica as sanções como uma “guerra econômica sem precedentes” e tomou medidas em resposta, proibindo que investidores estrangeiros retirem dinheiro do sistema financeiro russo e obrigando compradores europeus de gás a pagar em rublos.

*Com informações da Sputnik Brasil.


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