EUA pediram à Hungria para invadir Sérvia durante conflito em 1999, revela presidente sérvio;

Forças militares da Sérvia patrulham fronteira do país.
Forças militares da Sérvia patrulham fronteira do país.

O presidente sérvio Aleksandar Vucic revelou no sábado (08/10/2022) que líderes dos EUA e do Reino Unido, incluindo o presidente Bill Clinton, pediram à Hungria que invadisse a Sérvia por terra em 1999. No entanto, o premiê húngaro Viktor Orbán, que falou a Vucic sobre o pedido, recusou.

“Quanto ao Kosovo, vou dizer algo que vocês não sabiam. Em 1999, a Hungria deveria atacar a Sérvia com forças terrestres, o que me foi confirmado pelo [primeiro-ministro húngaro] Viktor Orbán e foi autorizado a revelar à opinião pública. O presidente dos EUA Bill Clinton exigiu, tal como os britânicos, que eles atacassem a República da Sérvia pelo Norte para que nós estendêssemos nossas forças para Vojvodina, o que Viktor Orbán recusou [fazer] e estava sob grande pressão. O [chanceler alemão] Gerhard Schroder o ajudou a lidar com essa pressão da Casa Branca”, disse Vucic.

De acordo com ele, a ex-premiê britânica Margaret Thatcher mais tarde repreendeu Orbán dizendo que “por causa de sua recusa morreram mais soldados britânicos”, disse presidente sérvio.
Hungria se juntou à OTAN no início de 1999, mas não participou da campanha militar.

Em 1999, um conflito entre os separatistas albaneses do Exército de Libertação do Kosovo, o Exército e a polícia da Sérvia resultou no bombardeio da Iugoslávia, na época composta pela Sérvia e Montenegro.
A operação militar da OTAN foi lançada sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU e com base na afirmação dos países ocidentais de que as autoridades da Iugoslávia teriam feito uma limpeza étnica no Kosovo, provocando uma catástrofe humanitária.

Belgrado diz que Governo Zelensky silencia sobre bombardeio da OTAN na Iugoslávia, mas pede por sanções à Rússia

O Governo Zelensky nunca exigiu a imposição de sanções ou a realização de um julgamento para os envolvidos no bombardeio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Iugoslávia, mas ao mesmo tempo exige punição para a Rússia por sua operação militar especial na Ucrânia, disse o ministro do Interior sérvio, Aleksandar Vulin, nesta terça-feira (04/10/2022).

No início de outubro, o embaixador ucraniano Vladimir Tolkach disse à emissora N1 que Kiev não entendia a posição de Belgrado sobre as sanções contra a Rússia e pediu à Sérvia que se juntasse à política ocidental em relação a Moscou.

“Dezenas de meninos e meninas sérvios foram mortos durante o bombardeio da OTAN. Não me lembro da exigência da Ucrânia de que uma reunião especial do Conselho de Segurança da ONU fosse realizada ou sanções fossem impostas ao agressor contra a Sérvia. Não é tarde demais para a Ucrânia e todos os países que exigem um julgamento por crimes no conflito russo-ucraniano exigirem um julgamento dos assassinos de crianças sérvias durante a agressão da OTAN”, disse Vulin citado pelo Ministério do Interior da Sérvia.

Além disso, o funcionário lembrou o apoio consistente e baseado em princípios da Rússia à integridade territorial da Sérvia.

“A Rússia nunca mudará sua posição sobre o falso ‘Estado’ do Kosovo. E nenhuma declaração ou passo das autoridades russas visa o contrário, assim como nenhuma declaração ou passo de funcionários da União Europeia [UE] ou dos EUA visa retirar o reconhecimento [da independência] do Kosovo ou respeitar a integridade territorial da Sérvia”, disse Vulin.

No dia 24 de fevereiro, a Rússia iniciou sua operação militar especial na Ucrânia respondendo aos pedidos de ajuda das repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL). Os países ocidentais responderam impondo sanções abrangentes contra Moscou, ao mesmo tempo que aumentaram seu apoio militar e financeiro a Kiev. A Sérvia está entre os países que mantêm uma posição neutra sobre o assunto e não aderem à maioria das restrições a Moscou, apesar da crescente pressão de Bruxelas e Washington.

*Com informações da Sputnik Brasil.


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