Feira de Santana: Música, teatro e literatura são destaques na 1ª edição do ‘Encontro de Educação Antirracista’

1ª edição do ‘Encontro de Educação Antirracista’ aconteceu no Centro Cultural SESC, em Feira de Santana.
1ª edição do ‘Encontro de Educação Antirracista’ aconteceu no Centro Cultural SESC, em Feira de Santana.

Olhos e ouvidos atentos a uma playlist totalmente afrocantada e à cena apresentada por estudantes da Rede Municipal de Educação – no palco, um espetáculo musical sobre questões raciais e um conto africano sobre o compartilhamento de saberes. A profusão de imagens e sons convidou o público a ingressar na programação da 1ª edição do ‘Encontro de Educação Antirracista da Educação Municipal’ realizada durante esta quarta-feira (26/10/202) no Centro Cultural SESC, em Feira de Santana.

O momento cultural emocionou o público na abertura do evento. A banda “Os Soares”, da Escola Municipal Reverendo Severino Soares, no bairro Gabriela, encantou todos com o repertório montado especialmente para o evento, que reuniu uma série de canções sobre a cultura afro-brasileira – de “Que bloco é esse?”, do Ylê Aiê, ao canto africano “Amavolovolo” cantado no idioma Zulu. A voz potente das vocalistas do grupo chamou a atenção da plateia.

O professor João Campos, da disciplina de Artes, é idealizador, “produtor” e músico da banda. Ele conta que trabalhou o tema da consciência negra com as turmas em sala de aula através da música e assim montou o repertório da apresentação.

Para Alice Reis dos Santos, do 8º ano, cantar é uma forma de liberdade e seu grande sonho. A estudante considera que não é fácil ser negra. “Não podemos ter nosso cabelo crespo, sair sem medo na rua, ter as mesmas oportunidades. O racismo está em todo lugar”, denuncia. Mas, segundo a estudante, “estar aqui hoje é uma forma de mostrar que podemos nos amar do jeito que somos, que podemos ser livres e conquistar o que quisermos. A música é esse meio para passarmos essa mensagem para o mundo”.

Na sequência, os alunos da Escola Municipal João Duarte Guimarães, do distrito de Humildes, apresentaram o espetáculo musical “Transatlântico Negreiro”. Cada movimento e expressão mostrava a dor do povo negro escravizado e trazido à força para um território longínquo.

A apresentação cênica mostrou o sofrimento daquele povo e provocou a reflexão, destacando diversos fatos ao longo da história até o assassinato dos jovens negros nos dias atuais. O espetáculo mesclou expressões corporais e sons, intercalou a história com casos atuais de racismo estrutural e preconceito contra as pessoas negras – uma abordagem necessária que foi aos poucos emocionando o público ao tratar de desigualdade e preconceito racial.

Racismo é sinônimo de violência

A secretária de Educação, professora Anaci Paim, destacou que o racismo é uma forma de violência. “Ver o outro de forma desigual, desrespeitá-lo, é uma violência e, como tal, não pode ser tolerável”, afirma. A secretária defendeu a difusão de práticas de abordagem do tema antirracista nas unidades de ensino desde a Educação Infantil a fim de formar as crianças para uma perspectiva igualitária e humanista.

A programação incluiu homenagens a profissionais e intelectuais negros que ao longo da história de Feira de Santana se destacaram nos diversos campos do conhecimento, com a apresentação da biografia deles.

E uma ilustre personalidade feirense foi também reverenciada: Noratinho da Pamonha, conhecido por toda a comunidade pela forma como apresentava a guloseima de milho nas ruas de Feira, foi lembrado. Ainda no campo cultural, a professora Jocinéia dos Santos, apresentou o conto africano “O dia em que Ananse espalhou a sabedoria pelo mundo”, de Eraldo Mirandal.


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