Habitações precárias prejudicam saúde mental e podem gerar adoecimento, alerta psicóloga

Bahia ocupa o 3° lugar no ranking nacional de habitações precárias com 157.927 moradias com famílias vivendo em péssimas condições.
Bahia ocupa o 3° lugar no ranking nacional de habitações precárias com 157.927 moradias com famílias vivendo em péssimas condições.

Com o terceiro lugar no ranking nacional de habitações precárias, milhares de baianos vivem sob o risco de desabamento, domicílios improvisados e em espaços com muitas pessoas dividindo a mesma casa. Além dos riscos para a saúde física, viver nessas condições também pode gerar um sofrimento psíquico.

A arquiteta, mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA, e professora da UNIFACS, Manoela Leiro, explica que as moradias precárias geralmente são áreas com insuficiência de equipamentos coletivos, com insuficiente de infraestrutura e de áreas públicas. Além de apresentarem condições topográficas desfavoráveis, esse é o padrão precário de habitação.

E essa vulnerabilidade habitacional é condição experienciada por famílias moradoras de regiões periféricas, majoritariamente negras e chefiadas por mulheres, explica a professora do curso de Psicologia da UNIFACS, Lígia Costa.

“O estado de alerta e tensão constantes frente à ameaça de intempéries climáticas e a proximidade de condições urbanas resultantes de intervenções sanitárias ineficientes, só para citar alguns exemplos, tendem a gerar condições de perigo e desamparo para a população pobre do país”, diz a psicóloga.

Dados alarmantes

De acordo com uma pesquisa da Fundação João Pinheiro, são quase 158 mil moradias com famílias inteiras vivendo em péssimas condições. Além disso, a Bahia é o estado que tem o 5° maior déficit habitacional do país, liderando o índice no Nordeste, sendo 584.628 moradias a menos do que o necessário.

“Esse aumento do déficit habitacional nos últimos anos acontece principalmente a partir de 2019 e se deve à falta de política pública nacional. O Brasil passou a não ter mais um programa nacional para habitação de interesse social, deixou-se de ter foco em um programa que atendesse mais as camadas mais pobres da população”, explica a arquiteta Manoela Leiro.

Ainda conforme a especialista, quando uma política habitacional nacional é cessada, obviamente haverá um reflexo disso. “Então nós estamos com essa questão. A gente tem um esvaziamento de recursos para justamente atender essa população que está aí na faixa de zero a um salário mínimo. Praticamente você passa a não ter mais uma política pública destinada à população mais carente”, completa Manoela.

Viver nessas condições de vulnerabilidade podem desencadear episódios de ansiedade, estados de esgotamento emocional e quadros depressivos, analisa a especialista. “Pessoas, mesmo enquanto adultas, continuam sofrendo os impactos da instabilidade habitacional. Certamente, ainda mais agravados, porque muitos com filhas e filhos se percebem capitaneando as suas próprias famílias e se percebendo não instrumentalizados para promover seguridade para os seus”, salienta.

Preconceito também é um problema

Além do sofrimento de viver em uma situação de moradia precária, as dificuldades por conta da vulnerabilidade socioeconômica também atuam como promotores de sofrimento psicológico.  “A região e os recursos para a construção de lares denunciam condições diferenciadas de seus moradores e essa diferenciação desencadeia tensões e distinções entre as pessoas que experienciam situações diferentes”, diz a especialista em psicologia da UNIFACS.

Pensando nisso, Lígia reforça a importância de potencializar pessoas e garantir que possam acessar efetivamente oportunidades como educação e trabalho, por exemplo. “O desenvolvimento psicossocial só pode acontecer em estado de equidade. Logo é fundamental que o Estado garanta que defasagens sociais sejam vencidas”, completa a professora.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.