A Jovem Pan está em processo de mudança editorial. A empresa de comunicação publicou no site um texto reconhecendo a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República nas Eleições 2022 e pediu que o presidente Jair Bolsonaro (PL) faça o mesmo. Na sequência, a rede de comunicação bolsonarista iniciou a demissão dos funcionários mais radicais numa mudança de rumo, após no canal jornalístico, Jovem Pan News, ter se tornado uma espécie de “porta-voz” da extrema-direita no Brasil. Estão entre os demitidos Augusto Nunes, Coppola, Guilherme Fiuza e Guga Noblat.
Publicado na noite de domingo (30/10/2022), o texto editorial não cita nominalmente Lula e Bolsonaro, mas reforça a defesa da democracia e indica que a emissora “não irá se omitir” caso ocorra algum golpe.
“Com a proclamação do presidente que conduzirá o país pelos próximos quatro anos, renovamos nosso compromisso com o Brasil, com a democracia, com a nossa Constituição cidadã e com os Poderes e Instituições que sustentam a nossa República”, diz o trecho principal. “Os candidatos que disputaram as eleições deste ano devem ter esse compromisso claro e serem os primeiros — tenham vencido ou não — a manifestar a defesa e a confiança na decisão soberana do povo”, segue.
O texto ainda lista uma série de “pedidos” a Lula sobre bandeiras liberais que, na visão da emissora, devem ser defendidas no futuro governo. Pede, por exemplo, por “desestatização”, que não foi feita por Bolsonaro, e que Lula combata as desigualdades sociais “sem assistencialismo barato”, embora Bolsonaro tivesse praticado eleitoralmente o chamado “assistencialismo barato” com o programa Auxílio Brasil.
A Jovem Pan sinalizou ainda que não pretende ecoar eventuais ataques antidemocráticos de Bolsonaro.
“Mais importante: a Jovem Pan não vai se omitir e jamais vai aceitar afrontas ao Estado Democrático de Direito e a destruição de nosso país”.
CEO diz que não vai pagar a conta
Questionado a respeito das trocas, saídas e demissões de bolsonaristas da Jovem Pan, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho (Tutinha), dono do grupo, disse em reuniões internas que “a desobediência civil não sairá do meu bolso”.
Ele se referia a penalidades que o grupo poderá sofrer caso comentaristas do canal contrários ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), descumpram decisões judiciais e continuem fazendo acusações ao petista.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a empresa se abstenha de promover inserções e manifestações que digam que Lula mente a respeito de ter sido inocentado pela Justiça, com multa fixa de R$ 25 mil a cada infração. Além disso, concedeu três direitos de resposta ao petista.
Em editorial, a Jovem Pan disse ter sido censurada.
Antes do resultado das eleições, Tutinha dizia a pessoas próximas que o cenário já seria ruim para a Jovem Pan com eventual vitória de Bolsonaro, pois o rigor do STF com o grupo poderia aumentar. Em caso de triunfo de Lula, que foi o que ocorreu, a situação seria ainda pior.
A ideia com as trocas, segundo vem argumentando Tutinha, não é a de mudar a orientação ideológica bolsonarista do grupo, mas colocar nomes que respeitem as decisões judiciais, evitando assim multas e outras punições.
Para ocupar o espaço de Augusto Nunes, por exemplo, uma aposta é Fernão Lara Mesquita, ex-diretor do jornal O Estado de S. Paulo. No lugar de Carla Cecato, que estava afastada, Thiago Pavinatto continuará no comando do programa Linha de Frente, como mostrou o site Notícias da TV.
*Com informações do Yahoo Notícias, Folhapress e UOL.










