O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira (25/11/2022) que, sem o golpe na Ucrânia em 2014, não teria havido nenhuma operação especial.
O presidente russo participou de uma reunião com as mães dos soldados e combatentes da operação especial russa na Ucrânia. Ele falou sobre o conflito e o papel que algumas potências ocidentais desempenham para acirrar as tensões na região.
“Se não tivesse havido um golpe de Estado na Ucrânia em 2014, não haveria hostilidades agora”, disse o presidente russo.
Segundo ele, foi “graças aos esforços” de alguns países, incluindo a Ucrânia, que “acabamos nesta situação”. Putin ainda acrescentou que a operação militar especial está em andamento “porque eles trouxeram isso”.
Ele criticou o caminho tomado pela Ucrânia depois de 2014, principalmente depois que alguns grupos políticos ligados à memória de Stepan Bandera, um notório terrorista alinhado a Adolf Hitler, “assumiram o controle de todas as autoridades e administrações da Ucrânia”.
“E quais são os [grupos] de Bandera? Neonazistas. Bandera era o capanga de Hitler, ele atirou em russos, aliás, e poloneses, judeus, todos ali sob a direção de Hitler, e hoje eles [os nacionalistas ucranianos] elevaram essas pessoas ao posto de heróis nacionais,” disse Putin.
Ainda de acordo com o presidente da Rússia, é contra isso que os militares russos estão lutando hoje na zona da operação militar especial.
Em 2014, após o golpe de Estado no país (chamado de Euromaidan, que desencadeou a atual crise de segurança no leste da Ucrânia), os EUA e seus aliados gastaram bilhões de dólares e milhões de horas treinando e equipando tropas ucranianas.
Os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá treinaram dezenas de milhares de soldados ucranianos ao longo dos anos, entre eles membros da Guarda Nacional — uma controversa força que inclui milhares de combatentes nacionalistas de extrema-direita.
No início desta semana, a ex-chanceler alemã Angela Merkel disse, em entrevista à revista Der Spiegel, não ter recebido com surpresa a notícia do início da operação militar da Rússia na Ucrânia, dado o descumprimento por parte de Kiev dos acordos de Minsk.
Os acordos foram assinados em 2014 e 2015 por Rússia, Ucrânia, República Popular de Lugansk (RPL) e República Popular de Donetsk (RPD) e tinham como objetivo pôr fim aos conflitos armados no leste da Ucrânia.
Ucranianos são usados como bucha de canhão e fuzilados por desobediência
O presidente da Rússia disse que os ucranianos estão sendo muito maltratados nos seus combates, e que ao mesmo tempo os militares russos estão sofrendo calúnias.
Os ucranianos estão sendo usados como bucha de canhão e são fuzilados à frente das fileiras aqueles “que se comportam de forma errada”, isso comprova um regime neonazista, disse na sexta-feira (25/11/2022) Vladimir Putin, presidente da Rússia.
“Nós somos obrigados a combater não contra eles, mas contra aqueles que lhes fornecem e pagam tudo. Eles realmente os utilizam como bucha de canhão. Sem qualquer exagero. Eles não se preocupam com as perdas, de forma alguma, e aqueles que não se comportam como julgam ser correto, são fuzilados na frente das fileiras”, sublinhou Putin em uma reunião com mães de militares que participam da operação militar especial.
“Há lá uma atmosfera moral totalmente diferente. [Isso] confirma mais uma vez que estamos lidando com um movimento neonazista, sem qualquer exagero”, apontou.
Putin também abordou a questão de como o espaço informacional está sendo usado sobre o conflito.
“[…] No que diz respeito às, digamos diretamente, as ações do adversário, nossos homens estão lutando diretamente com o adversário, ele está aí em frente, e o adversário também está na área da informação. Quando vocês dizem que estava tentando convencer alguém de algo, para dar informações falsas, para incitar a algumas ações, eles estão incitando que tipo de ações?”, perguntou o presidente russo.
“Eles defendem ações destrutivas que anulam, desacreditam aquilo pelo qual seu filho perdeu a vida. É para isso que elas servem, para desvalorizar o que nossos rapazes estão fazendo, ou desvalorizar nosso impulso, em minha opinião, muito nobre, para proteger nosso povo em Donbass, Zaporozhie, Kherson. É isto que eles estão fazendo”, disse Putin em uma reunião com as mães dos militares que participam de uma operação militar especial.
Ele também acrescentou que a indústria está trabalhando para ter drones e quadricópteros em cada subunidade militar.
*Com informações da Sputnik Brasil.










