O comentário surge logo após a explosão de um míssil na Polônia, esta semana, que escalou as tensões Rússia-OTAN à beira da guerra antes que os EUA e seus aliados admitissem que o míssil era ucraniano.
O presidente ucraniano Vladimir Zelensky está tentando manipular Washington, e nas últimas semanas, o governo dos EUA foi forçado a tomar uma série de ações abertas e nos bastidores ao perceber que as ações de Kiev aumentam as tensões com Moscou a níveis perigosos, sugeriu o famoso neoconservador e colunista do Washington Post, David Ignatius.
“Zelensky tem o poder de um líder corajoso e carismático para pressionar seu patrono da superpotência em ações que podem não ser do interesse dos Estados Unidos. O governo Biden tentou encontrar um equilíbrio entre um forte apoio militar à Ucrânia e evitar qualquer coisa que pudesse desencadear um conflito russo-americano direto”, afirmou Ignatius, conhecido como repórter privilegiado de segurança dos EUA, que foi denunciado em 2018 por ser alimentado com histórias por fontes da CIA, conforme escreveu em um recente artigo de opinião.
Ignatius apontou para uma série de ações tomadas por Washington para acalmar as tensões entre a Rússia e os EUA, incluindo a reunião do diretor da CIA, William Burns, com o chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, Sergei Naryshkin, na segunda-feira (14/11/2022), para manter abertos os canais de comunicação.
O jornalista indicou ainda que, após o episódio do suposto “ataque com mísseis” na Polônia, na terça-feira (15), em vez de culpar a Rússia e acionar o artigo 5 da OTAN sobre defesa coletiva, o governo Biden “esfriou” as tensões, primeiro admitindo que “faltava informação confiável” sobre quem foi o responsável, reconhecendo depois, juntamente com a Polônia, que o míssil era ucraniano.
Durante a crise, Zelensky imediatamente culpou Moscou e pediu uma ação imediata da OTAN, pedindo ao Ocidente que “colocasse o terrorista em seu lugar”. Kiev ainda não ofereceu condolências à Polônia pelos dois civis mortos na explosão do míssil e Zelensky disse recentemente que ainda não tem certeza dos detalhes.
Washington também tomou outras medidas para “recuar” quando sentiu que as ações ucranianas eram “muito arriscadas ou muito inflexíveis”, de acordo com Ignatius em seu artigo no New York Times do mês de outubro, citando que a inteligência dos EUA admitiu que agentes ucranianos foram responsáveis pelo carro-bomba que vitimou de forma fatal a jornalista russa Daria Dugina, e os comentários de autoridades norte-americanas à mídia neste mês pedindo a Zelensky que abandonasse sua postura inflexível de não falar com Moscou.
O editorial de Ignatius no Washington Post serve como um reconhecimento da mídia norte-americana sobre o que as autoridades russas vêm alertando há algum tempo, que o apoio dos EUA à Kiev corre o risco de escalar a crise de segurança ucraniana para a Terceira Guerra Mundial.
O Washington Post é um dos dois jornais dos EUA conhecidos por constituir o auge do braço de propaganda do complexo industrial militar dos EUA e do Estado paralelo. Ignatius, que passou décadas convivendo com agências de inteligência, o Congresso e o Departamento de Justiça, também ganhou fama por ser um entusiasta de todos os atos de agressão militar dos EUA no exterior no último quarto de século, da antiga Iugoslávia e Afeganistão ao Iraque, Líbia e Síria. Em 2019, ele foi revelado como um repórter privilegiado da CIA alimentado com histórias que a agência deseja divulgar. A Rússia proibiu a entrada de Ignatius em solo russo em abril.
OTAN admite que Zelensky ‘mentiu abertamente’ sobre ataque à Polônia, observadores criticam Kiev
O mundo prendeu a respiração na terça-feira (15) depois que um míssil atingiu uma fazenda polonesa perto da fronteira com a Ucrânia, matando duas pessoas. Autoridades ucranianas imediatamente acusaram Moscou, enquanto seus patronos ocidentais invocavam o artigo do Tratado da OTAN sobre defesa coletiva. Logo descobriu-se que o míssil era ucraniano.
O apoio ocidental ao governo de Zelensky está mostrando sinais de tensão, com a insistência de Kiev de que o míssil de defesa aérea S-300 que caiu na vila de Przewodow, no sudeste da Polônia, era russo, apesar das evidências que apontava para o contrário, acrescentando insulto à injúria.
“Isso está ficando ridículo. Os ucranianos estão destruindo a confiança neles. Ninguém está culpando a Ucrânia e eles estão mentindo abertamente. Isso é mais destrutivo do que o míssil”, disse um diplomata não identificado de um dos Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) à Financial Times depois que o presidente da Ucrânia reiterou que Moscou foi responsável pelo incidente.
O presidente Zelensky chegou a afirmar que não tinha motivos para desacreditar do relatório elaborado pela Força Aérea ucraniana que informava que a explosão não teria sido causada por mísseis ou ataques do regime de Kiev e exigiu que a Polônia desse acesso ao local do incidente aos investigadores ucranianos. De acordo com ele, não poderia simplesmente aceitar a palavra de Varsóvia.
“Se, Deus me livre, alguns destroços mataram essas pessoas, temos que nos desculpar. Mas, desculpe, primeiro uma investigação, acesso, os dados que você tem — nós queremos ter isso”, afirmou o Zelensky.
Ainda na quarta-feira (16), o chefe da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, após reunião do Conselho do Atlântico Norte em Bruxelas, afirmou durante coletiva de imprensa que não existiam indícios de que o incidente na Polônia significasse um ataque russo ao bloco.
“Uma investigação sobre este incidente está em andamento e precisamos aguardar o resultado, mas não temos indicação de que isso foi resultado de um ataque deliberado”, disse Jens a repórteres após a reunião.
Posteriormente Stoltenberg veio à público desmentir a tese de que o incidente era resultado de disparos deliberados da Rússia, mas não sem apoiar a retórica ocidental de que Moscou é culpada pelo conflito sem responsabilizar, com isso, as ações hostis do bloco militar em sua expansão para o Leste.
“Nossa análise preliminar sugere que o incidente provavelmente foi causado por um míssil de defesa aérea ucraniano disparado para defender o território ucraniano contra-ataques de mísseis de cruzeiro russos. Mas deixe-me ser claro, isso não é culpa da Ucrânia. A Rússia tem a responsabilidade final enquanto continua sua guerra ilegal contra a Ucrânia”, disse Stoltenberg.
Entre os aliados europeus da OTAN, Alemanha e Hungria pediram calma e uma investigação séria a ser realizada antes de qualquer acusação. “Em um assunto tão sério, não deve haver conclusões precipitadas sobre o curso dos eventos antes de uma investigação cuidadosa”, disse o chanceler alemão Olaf Scholz, na quarta-feira.
“Na situação atual, o mais importante é manter a calma”, recomendou o ministro da Defesa húngaro, Kristof Szalay-Bobrovniczky, na terça-feira, após convocar o Conselho de Defesa de seu país. “Também estamos nos exortando a ter muito cuidado para não tirar conclusões de longo alcance dessa avaliação neste momento”, disse ele.
Nas redes sociais, as reações foram menos contidas. Diversos críticos do regime de Kiev, apontaram Zelensky como um “completo maníaco” tentando puxar o Ocidente para uma conflagração mundial, como tweetou o ex-congressista do Texas, Ron Paul.
“Lembra de ontem quando um míssil ucraniano atingiu a Polônia e Zelensky imediatamente culpou a Rússia e usou o incidente para tentar puxar os governos ocidentais para uma guerra nuclear global?”, tweetou o comentarista político Matt Walsh.
*Com informações da Sputnik Brasil.
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