Depois da corrupção denunciada no Executivo da Ucrânia, oposição diz que Governo Zelensky destruiu país ao jogar ‘no fogo da guerra’

Viktor Medvedchuk, chefe do conselho político da oposição, foi detido pelo Governo de Zelensky.
Viktor Medvedchuk, chefe do conselho político da oposição, foi detido pelo Governo de Zelensky.

Um dos mais proeminentes políticos da oposição ucraniana, Viktor Medvedchuk não poupa o vocabulário ao falar do atual líder do regime na Ucrânia, Vladimir Zelensky, cuja política ele tacha, sem pestanejar, de “neonazista”. Em entrevista exclusiva ao RT, acusa o presidente de desrespeitar a democracia e as leis do país, que rotula como “destruído”.

Preso em abril passado, sua foto em que aparece algemado pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla em ucraniano) circulou como uma espécie de “troféu” entre os canais oficiais ucranianos.

Seus bens e de sua mulher, Oksana Marchenko, foram confiscados pelo governo do país.

Seu destino, acreditava, era incerto. Até que foi surpreendido com a negociação que o libertou, em uma troca de prisioneiros entre Rússia e Ucrânia no contexto da operação militar especial, no final do mês de setembro. Desde então, vive na Rússia com status vago, já que foi privado de sua cidadania ucraniana.

Tece críticas contumazes contra Zelensky, cuja ideologia, ele alerta, precisa ser “destruída”. Não sabe, entretanto, que fim o líder do regime ucraniano terá.

“Seu destino é desconhecido para mim. Mas devo dizer que adoraria vê-lo responder por tudo o que fez à Ucrânia e ao seu povo. Ele destruiu o país. Ele o atirou no fogo da guerra. Isso é culpa dele. Gostaria de relembrar o que muitos esquecem hoje em dia, infelizmente. Sobre o que aconteceu pouco antes de 24 de fevereiro. Eu estava dando muitas entrevistas e falava sobre isso também. Sobre a necessidade de evitar a guerra, de fazer de tudo para evitá-la. Zelensky poderia fazer alguma coisa? Tenho certeza: ele poderia. E além disso, ele tinha que fazer. Ele tinha que seguir os Acordos de Minsk. Você ouviu as revelações de [ex-chanceler alemã Angela] Merkel e [ex-presidente francês François] Hollande. E até [o ex-presidente ucraniano Petr] Poroshenko está tentando entrar no jogo (…) Precisamos destruir a ideologia de Zelensky. Ele acha que a Ucrânia está unida e todos o apoiam, [apoiam] a guerra e não há ninguém que queira a paz ou um futuro diferente, enquanto nós acreditamos que essas pessoas existem e também são ucranianas. Elas têm o direito de falar o que pensam. Elas têm o direito de falar e serem ouvidas.”

Eleito quatro vezes deputado pelo povo ucraniano, Medvedchuk é advogado e atuava na macropolítica do país desde 1997, quando foi eleito para o Parlamento pela primeira vez. No ano seguinte, tornou-se vice-presidente da Verkhovna Rada, a Câmara dos Deputados ucraniana. No período de 2002 a 2005, Medvedchuk trabalhou como chefe da administração do presidente da Ucrânia, Leonid Kuchma.

Foi um dos ferrenhos adversários do Euromaidan (que pregava uma “revolução” violenta por parte de grupos de extrema-direita, nacionalistas e neonazistas), contra a qual entrou em oposição aberta em 2014, tornando-se um perseguido político por confrontar o regime ucraniano.

Após um período de silêncio, publicou um artigo na semana passada sobre a atual situação da Ucrânia e as condições que levaram o país até os dias atuais.

Principal partido de oposição da Ucrânia foi banido

O partido da Oposição da Ucrânia – Pela Vida (OPPL, na sigla em inglês) foi oficialmente banido, em 20 de junho de 2022, por um tribunal do Páis.

A Justiça ucraniana anunciou que todos os ativos do partido, assim como propriedades e fundos serão transferidos para o Estado. A proibição ocorre em um tribunal na cidade de Lviv, após um pedido do Ministério da Justiça.

O OPPL teve todas as suas operações suspensas pelas autoridades em Kiev em março, logo após o lançamento da operação militar de Moscou. O partido e seus líderes foram acusados ​​de ter laços com a Rússia

Em uma publicação nas redes, a Justiça ucraniana observou que até agora foram proibidos 11 partidos classificados como “pró-russos”, suspeitos de agir para “minar a soberania” do país.

*Com informações da Sputnik Brasil.

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