Salvador sedia 2º edição do ‘Festival Internacional de Capoeira’

O Barracão Cultural Odoyá e o Festival são uma realização do Capoeira em Movimento Bahia (CMB).
O Barracão Cultural Odoyá e o Festival são uma realização do Capoeira em Movimento Bahia (CMB).

Depois da aprovação da lei Moa do Katendê (nº 14.341/2021), a capoeira da Bahia tem mais um motivo para comemorar: em 2024, Salvador sediará o 2º Festival de Capoeira: Ancestralidade e Resistência – Gingando pelo Mundo (edição internacional). O anúncio foi feito na noite desta sexta-feira (27/01/2023), na Biblioteca Central dos Barris, durante a abertura do Barracão Cultural Odoyá, sob o som da Orquestra de Berimbaus Afinados Dainho Xequerê (OBADX), rodas de capoeira e intervenções artísticas.

“Iniciamos com chave de ouro o Barracão Cultural Odoyá com a novidade do anúncio do festival internacional. Fui uma das coordenadoras de um dos eixos no primeiro festival e seguiremos nessa caminhada que, sem dúvidas, em 2024 será um sucesso com a edição internacional”, destacou Mestra Princesa.

O Barracão Cultural Odoyá e o Festival são uma realização do Capoeira em Movimento Bahia (CMB). O coordenador do CMB e idealizador do Barracão, Jacaré Dialabama, destacou a retomada dos eventos do setor pós-pandemia de Covid-19.

“A capoeira foi um dos segmentos mais afetados com a pandemia, sem acesso a seu pão de cada dia e conseguimos dar a volta ao mundo e fazer um evento como esse com tamanha representatividade dos nossos mestres, poder público e secretários de estado demonstrando que a capoeira está muito viva e ávida por roda, por políticas públicas – o que dá o tom do Barracão que segue até quinta-feira, 2 de fevereiro”, avaliou.

De acordo com ele, o festival inicia sua construção com o anúncio e tem as melhores expectativas.

“O primeiro spoiler é o fato de ser internacional que não é apenas trazer pessoas de fora, mas fazer uma construção internacional porque a capoeira vai sendo feita a partir de cada identidade e cultura. É um desafio muito grande e estamos pensando inclusive em colocar um berimbau do CMB seguindo o modelo da tocha olímpica percorrendo alguns lugares”, sinalizou.

O evento de anúncio contou com a participação da Secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos Tradicionais (Sepromi), Angela Guimarães; do Vereador de Salvador (PCdoB), Augusto Vasconcelos – proponente do PL 170/2022, que dispõe do ensino histórico e prático da capoeira nas escolas municipais de Salvador, além dos Mestres Zambi, Alabama, entre outros; e demais representações.

O coordenador no Barracão Cultural Odoyá, Dainho Xequerê, destacou o poder da ancestralidade no caminho de valorização da cultura e identidade do povo preto.

“A ancestralidade faz com que as pessoas cheguem aqui até sem saber o que vieram fazer. Com casa cheia e energia super positiva iniciamos o Barracão e com fé e união seguiremos até o dia 2 de fevereiro. Com certeza é a reafirmação da importância das cantigas do povo preto, da cultura, da roda de capoeira, da sua ancestralidade e o quanto a musicalidade fortalece para que isso continue vivo”, comemorou.

O músico, capoeirista e ativista cultural, Tonho Matéria, frisou a relevância do Barracão para o fortalecimento da cultura. “Tudo que é em prol da nossa cultura, da resistência que temos feito é positivo. O Barracão veio para tornar mais ativo ainda o processo cultural. Não existe fazer um carnaval, fazer festa em nossa cidade se não trabalhar com a cultura. O Barracão vem para tornar cada vez mais a capoeira e a nossa arte viva”, afirmou.

Luta e ancestralidade

Congregando capoeiristas, amigos e simpatizantes da defesa da cultura popular e da arte afro-brasileira, o CMB é um movimento social que atua na busca por políticas públicas. É fruto de uma ação de salvaguarda da capoeira no estado que se faz presente em diversos territórios do estado. Por meio do CMB junto à Salvaguarda da Capoeira na Bahia, a Bahia foi contemplada com a lei Moa do katendê – de autoria da Deputada Estadual, Olívia Santana (PCdoB) – que estabelece a capoeira nas escolas públicas da Bahia.

Presente no evento de anúncio do festival, o representante da Secretaria Estadual de Educação, Marcius Gomes, apontou o compromisso com o movimento da capoeira.

“A relação com a educação é uma agenda que estamos tocando desde 2022. Temos desafios importantes para desenvolver e fortalecer a capoeira nas escolas. E, sem dúvida alguma, é um compromisso do Governo do Estado fortalecer nossa cultura e a ancestralidade do nosso povo”, disse.

Barracão Cultural Odoyá

Valorizando a identidade da capoeira durante festa de Yemanjá, o Barracão Cultural Odoyá tem o patrocínio da Bahiagás e ocorre em sua segunda edição – este ano com uma programação robusta antecedendo o dia da rainha do mar com oficinas, rodas de conversa e balaio sustentável. Dia 2 de fevereiro terá feijoada e shows com as bandas Suinga e Yayá Massemba: Mulheres do Samba. A festa será no Barracão, ao lado do restaurante Manjericão, na Fonte do Boi, no Rio Vermelho.


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