O professor Alysson Leandro Mascaro, da Universidade de São Paulo (USP), será o palestrante da aula magna do semestre 2023.1 da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). O evento ocorre na terça-feira (14/02/2023) no Auditório Central e tem como tema ”Fascismo no Brasil, a luta antifascista e o papel das universidades públicas”. A palestra é gratuita e aberta aos públicos interno e externo.
Alysson Leandro Mascaro é jurista, filósofo e doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP. O docente também é autor dos livros “Crítica do Fascismo”, “Crise e Golpe”, “Filosofia do Direito”, “Sociologia do Direito” e “Estado e Forma Política”. Em entrevista realizada por e-mail, o palestrante falou sobre o fascismo no Brasil e o papel das universidades e dos jovens na luta antifascista. Confira a seguir:
O que é o fascismo e como ele se caracteriza no Brasil?
Escrevi “Crítica do Fascismo” para demonstrar que há leituras que situam o fascismo apenas no campo institucional ou moral, e por causa disso não o explicam, mas há leituras que situam o fascismo como margem inexorável do capitalismo. Assim, com tais visões científicas, concretas, pode-se ver que as margens de extrema-direita não são lapsos ou situações inesperadas das sociedades capitalistas, mas um modelo necessário de sua reprodução social, quando em crise.
Por que, no século 21, ainda lutamos contra o fascismo?
Porque ainda há capitalismo: nossas sociedades são de classes, divididas entre exploradores e explorados, cuja lei geral a acumulação, tendo formas sociais e políticas constituídas para a dominação, a diferença e a opressão.
Qual o papel das universidades públicas na luta antifascista?
Há uma ciência sobre o fascismo, que investiga suas causas materiais e aponta, então, para a transformação social necessária para extirpá-lo. A universidade deveria ser polo central na formulação de tal ciência e na educação crítica da sociedade.
Uefs e Comitê Antifascista
O nome do professor Alysson Mascaro para conferencista da Aula Magna foi indicado pelo Comitê Antifascista em Defesa das Liberdades Democráticas e da Uefs. A indicação de nomes para a Aula, costumeiramente, se dá a partir de um processo de rotatividade entre as entidades representativas dos professores, estudantes e dos técnico-administrativos, além da Administração Central da universidade. Numa ação inédita, o Comitê Antifascista fez a indicação, que foi prontamente acatada pela Administração, num evidente entendimento coletivo da necessidade de profundas reflexões acerca do fascismo.
O Comitê Antifascista foi instituído no dia 27 de outubro do ano passado, ao final de uma reunião ampliada da comunidade acadêmica, que contou com as presenças da Administração Central da universidade, além de representantes dos docentes e discentes. A organização do encontro foi uma reação dos trabalhadores e estudantes, após reincidentes episódios de violência cometidos por grupos de extrema-direita contra a instituição por conta da exibição de uma faixa no campus com a mensagem: Fora, Bolsonaro.
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