Capitalismo em Crise: EUA enfrentam déficit de US$ 2 trilhões e fragilidade no sistema bancário; Secretária do Tesouro alerta para ‘desastre’ na economia estadunidense

Janet Louise Yellen, secretária do Tesouro dos Estados Unidos.
Janet Louise Yellen, secretária do Tesouro dos Estados Unidos.

O presidente Joe Biden divulgou sua proposta de orçamento para 2024 na quinta-feira (09/03/2023), com um déficit de quase US$ 2 trilhões (R$ 10,3 trilhões), sendo que a dívida nacional subiu para mais de US$ 31 trilhões (R$ 160,1 trilhões). O Washington Post acaba de publicar um artigo sobre a situação atual da economia dos EUA.

Situação grave

Primeiramente, os autores do artigo afirmam que o povo norte-americano atingiu um ponto perigoso em que sua dívida em porcentagem do PIB é a mais alta desde a Segunda Guerra Mundial.

“Se nada mudar, os Estados Unidos logo estarão em um cenário desconhecido, que enfraquece sua segurança nacional, põe em risco sua capacidade de investir no futuro, sobrecarrega injustamente as gerações futuras e exigirá cortes em programas críticos”, diz o artigo.

Atualmente, a dívida pública atinge 98% do PIB e está em vias de atingir 118% em uma década, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso.

Os autores avisam que, até 2033, o país vai gastar mais no serviço da dívida (reembolso de empréstimos) do que em todo o orçamento da Defesa.

Isto se deve principalmente, segundo a edição, a um forte aumento nos gastos do governo e à aposentadoria das pessoas nascidas entre 1945 e 1965, a chamada geração Baby Boomer, a maior da sociedade norte-americana.

Simultaneamente o artigo aponta que, em qualquer caso, não será possível evitar aumentos fiscais ou cortes nos programas sociais.

“Os legisladores teriam que aumentar os impostos ou cortar os gastos em US$ 16 trilhões para equilibrar o orçamento durante a próxima década. Mesmo a meta mais modesta de tentar estabilizar a dívida em relação ao tamanho da economia equivaleria a cerca de US$ 8 trilhões”.

Mas nenhum político quer admitir a responsabilidade pela situação.

Biden culpa o ex-presidente Donald Trump, embora ele mesmo também tenha aumentado significativamente a dívida com a ajuda pandêmica adicional às empresas, aprovada apenas pelos democratas.

Ao mesmo tempo, o orgulho de Biden de ter reduzido o déficit orçamentário foi refutado pelos analistas do The Washington Post, uma vez que a maior parte das reduções deveria acontecer de qualquer forma, já que a ajuda de emergência pandêmica terminou.

Propostas de mitigação

Biden propôs poupar cerca de US$ 3 trilhões (R$ 15,5 trilhões) na próxima década, principalmente através do aumento dos impostos sobre os mais ricos e pedindo ao governo que reduza a comparticipação no preço dos medicamentos em programas como o Medicare e o Medicaid.

No projeto de orçamento federal da administração Biden para o ano fiscal de 2024 apresentado ontem (9) se preveem gastos de US$ 6,883 trilhões (R$ 35,55 trilhões).

Ao mesmo tempo, as receitas do Tesouro norte-americano são de apenas 5,036 trilhões (R$ 26,01 trilhões), de acordo com o documento publicado no site da Casa Branca.

Por sua vez, os republicanos defendem cortes nos gastos com a previdência social e a ajuda externa.

Os democratas propõem aumentar os impostos sobre as grandes empresas e os mais ricos e talvez cortar um pouco na defesa para atingir as metas necessárias.

Secretária do Tesouro alerta para ‘desastre’ na economia estadunidense

De acordo com secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, a inadimplência no pagamento pode causar “consequências psicológicas” entre os consumidores que podem “aprofundar uma recessão”.

Os EUA vão enfrentar uma terrível recessão se o Congresso não aumentar o teto da dívida pública, disse a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, em entrevista ao Axios no sábado (28).

“É claro que isso me deixa nervosa”, disse Yellen. “Seria devastador. É um desastre”, acrescentou.

Se Washington declarar o calote de sua dívida, vai haver uma crise financeira e uma recessão nos EUA, afirmou a secretária. Caso este cenário ocorra, o medo vai se espalhar entre os consumidores fazendo-os gastar menos, o que Yellen descreveu como “consequências psicológicas” que podem “aprofundar uma recessão”.

Além disso, ela afirmou que a eventual suspensão de pagamentos por parte dos Estados Unidos pode ter um impacto global, em particular, uma subida das taxas de juros nos países mais pobres do mundo.

“Os norte-americanos enfrentariam custos de empréstimos mais altos, e isso também causaria grande parte da turbulência global”, explicou a secretária.

Segundo Yellen, para evitar tal cenário, o presidente dos Estados Unidos e o Congresso devem encontrar uma forma de elevar o teto da dívida pública.


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