Mulheres pobres e negras são as mais afetadas pela superexploração do tráfico de drogas no Brasil e são expostas a diversas violências, de acordo com especialistas entrevistados pela Agência Brasil. As forças de segurança pública também atingem de maneira desigual as camadas mais vulneráveis da população. A cofundadora da Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas, Nathália Oliveira, afirma que, assim como as mulheres negras são a base do mercado formal de trabalho com os menores salários, na questão da indústria do tráfico internacional, isso não vai ser diferente.
A pesquisadora Luana Malheiro, autora do livro Tornar-se Mulher Usuária de Crack, destaca que a própria aproximação com o comércio ilegal ocorre a partir de condições de vida precárias e que a participação em atividades de risco pode agravar a situação dessas mulheres.
A violência de gênero é um elemento constante na vida das mulheres que usam drogas, principalmente o estupro e a violência sexual. Quando essas mulheres procuram ajuda nos serviços públicos, encontram pouco amparo e esses espaços deixam de atender necessidades específicas dessa população, como a falta de salas de lactância. Além disso, o consumo de drogas é um argumento usado para afastar as mães dos filhos e as punições por tráfico afetam de maneira expandida as famílias e comunidades negras.
A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) do Ministério da Justiça propõe ações de geração de renda e apoio às comunidades para evitar a exposição das mulheres às redes ilegais e lançou um edital para fomentar projetos que apoiem mulheres que usam drogas.
*Com informações da Agência Brasil.










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