Um membro do banco francês Société Générale mencionou um indicador como pressagiando o começo de uma recessão econômica no país norte-americano.
A economia dos EUA já está em recessão, mesmo que as taxas de desemprego caiam, afirmou Albert Edwards, um dos principais analistas e estrategistas do mercado de ações do banco francês Société Générale.
“O principal indicador oficial dos EUA nos diz que a recessão é um fato, não amanhã, não na próxima semana, mas hoje”, disse ele na quinta-feira (04/05/2023), em referência ao Principal Índice Econômico (LEI, na sigla em inglês) dos EUA, do The Conference Board, que agora está em níveis negativos, e semelhantes aos registrados em recessões passadas. A informação foi citada no sábado (06/05/2023) pelo portal Business Insider.
Edwards sublinhou que, embora os dados mais recentes do Escritório de Estatísticas Laborais (BLS, na sigla em inglês) indiquem que a taxa de desemprego no país tenha caído para 3,4%, e que tenham sido criados 253.000 novos empregos, contra as expectativas de 180.000, é preciso ter cautela.
“Como a economia pode estar em recessão quando os vencimentos e o PIB ainda estão crescendo, e muitos outros dados parecem, se não robustos, então razoáveis? A resposta óbvia é, como no início de 2008 [quando começou a crise financeira global], revisões”, disse ele.
As revisões dos dados de fevereiro e março mostram de fato um enfraquecimento do mercado de trabalho: o número de empregos criados em fevereiro foi revisado em baixa de 326.000 para 248.000, e em março de 236.000 para 165.000.
O analista também afirmou que os lucros corporativos, que permanecem altos apesar do aumento dos custos, terão um “caminho muito, muito longo para cair” no futuro. Com as empresas mantendo os custos elevados para aumentar os lucros, que, em conjunto com as taxas de juro, alimentam ainda mais a inflação, o cenário aponta “para uma recessão profunda”, disse Albert Edwards.
Os aumentos das taxas de juro, que recentemente atingiram um intervalo de 5 a 5,25% já dobraram as taxas hipotecárias, aumentaram os custos de empréstimos para carros e cartões de crédito, e também para empresas.
Eles ainda contribuíram para a falência de três grandes bancos dos EUA, pois os bancos que sofreram as falências haviam comprado títulos de longo prazo que pagavam taxas baixas e rapidamente perderam seu valor quando o Fed, o banco central do país, aumentou as taxas.
Investidores apostam no ouro e tecnologia em meio à crise bancária nos EUA
A mídia norte-americana refere que o investimento em valores como o ouro está crescendo “como substituto das taxas de juro mais baixas”, e “como proteção contra um cenário catastrófico”.
Os investidores estão se voltando para o ouro e ações de empresas tecnológicas em meio à crise bancária e aos temores de recessão nos EUA, disseram estrategistas da JPMorgan, citados na sexta-feira (5) pela agência norte-americana Bloomberg.
“A crise bancária dos EUA aumentou a demanda por ouro como substituto de taxas de juro baixas, bem como proteção contra um ‘cenário catastrófico'”, disseram os estrategistas.
De acordo com os representantes do banco, a evolução das transações de “longa duração” nas bolsas de valores mostra que não só há uma demanda crescente por ouro, que é tradicionalmente visto como um meio de investimento seguro em épocas de incerteza no mercado para cobertura de riscos e como reserva de valor, mas também há demanda por ações de empresas em crescimento, como as de tecnologia, e várias outras moedas.
Os estrategistas disseram que o “consenso nos últimos meses” de que esse tipo de ativos é “relativamente atraente”, pois teria “desvantagem limitada em um cenário de recessão leve nos EUA, mas muito potencial em uma recessão mais profunda”.
Em março de 2023 faliram três bancos dos EUA: o Silicon Valley Bank, o Silvergate Bank e o Signature Bank. Mais recentemente, na segunda-feira (01/05/2023), faliu o First Republic Bank, provocando dúvidas sobre a resiliência do setor bancário dos EUA em meio ao aumento das taxas de juro e à possibilidade de uma recessão.
A crise bancária forçou o Fed, o banco central dos EUA, a injetar dinheiro para prevenir o chamado “efeito dominó”.
Na Suíça, o Credit Suisse foi impedido de falir por meio de uma ação privada e governamental conjunta.
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