O amor se comunica ao se rebaixar e não ao se impor, diz cardial Mauro Gambetti na missa de Corpus Christi

Cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica Vaticana e vigário geral do Papa para a Cidade do Vaticano.
Cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica Vaticana e vigário geral do Papa para a Cidade do Vaticano.

“O amor e a vida são comunicados ao se rebaixar e não ao se impor. Para nós cristãos, não há outro tesouro mais precioso a ser guardado”. Foi assim que o Cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica Vaticana e vigário geral do Papa para a Cidade do Vaticano, resumiu o primeiro ensinamento de Cristo a nós, seus discípulos, concluindo sua homilia na Missa da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, presidida na Basílica de São Pedro, no altar da Cátedra na quinta-feira (08/06/2023). O cardeal franciscano recordou que Jesus, “quando fala em ser elevado, sempre faz alusão ao fato de ser elevado à cruz, ou seja, ao seu rebaixamento, porque é ali que resplende o amor de Deus pelo homem”.

O convite à Fraternidade do Encontro Mundial de sábado

O cardeal também sublinhou que, ao compartilharmos na Eucaristia o Seu Corpo como alimento descido do céu, somos todos irmãos, como será dito no Encontro Mundial sobre Fraternidade Humana neste sábado (10/06/2023). E se “realmente desejamos uma vida plena, devemos ouvir o convite de Jesus: levante-se, come e caminhe!… pois do contrário o caminho te será longo demais, somos sempre caminhantes”, mas não sozinhos, ou “Notalone!”, o slogan do evento de 10 de junho.

As orações pela saúde do Papa

Na coleta inicial o Cardeal Gambetti pediu orações pela recuperação do Papa Francisco, que está internado no Hospital Gemelli, e convidou a rezar pela sua saúde. Também em uma das orações dos fiéis, pediu-se que Francisco, hospitalizado desde quarta-feira (07/06) após uma operação abdominal, se recupere o mais rápido possível. Enquanto que na homilia, comentando a passagem do Evangelho de João na liturgia desta solenidade, o arcipreste da Basílica Vaticana recordou que, no quarto Evangelho, “Jesus revela o dom de si mesmo no pão e no vinho eucarísticos não em uma última ceia, mas imediatamente após a milagrosa multiplicação dos pães”.

As palavras de Jesus: Eu sou o pão vivo, descido do céu

O cardeal continuou destacando que o tema do alimento é fortemente simbólico. “Se em um sentido o que comemos e bebemos ‘torna-se nós’, em outro sentido ‘nos tornamos’ o que nos nutre, pertencemos a ele”, porque não somos os “donos” da vida, mas dependemos do que comemos e bebemos. É por isso que a afirmação de Jesus: “Eu sou o pão vivo, descido do céu”, tem, para Gambetti, “uma finalidade enorme, abrangendo esses e outros significados”.

Ao redor do altar, compartilhamos Cristo que se oferece a nós

Em primeiro lugar, o Salvador nos lembra, “quem comer deste pão, viverá eternamente”, portanto (…) “alimentar-se do corpo e do sangue de Cristo é estabelecer uma plena comunhão, reconhecer sua divindade imersa na fascinante carne humana”. Além disso, ao redor do altar, nós cristãos “somos todos comensais, compartilhamos o mesmo Senhor que se oferece a nós”, e com Ele os seus ensinamentos, “a sua presença constante, gestos fraternos, silêncios e recordações”. Assim, a comunidade eclesial que celebra a presença do Senhor “torna-se, passo a passo, a morada imanente do Eterno, para que o mundo viva, para que todos sejam irmãos, como tentaremos dizer no próximo sábado no Encontro Mundial sobre a Fraternidade Humana”.

Nós, homens, não gostamos de nos rebaixar

Por que, então, pergunta o vigário do Papa, apesar de desejarmos a vida, a vida eterna e a comunhão com os outros, “temos dificuldade em reconhecer o caminho de Deus que se revela no pão vivo, descido do céu?” O principal obstáculo, para o cardeal Gambetti, provavelmente está no verbo que caracteriza “a ação de Deus: rebaixar-se para comunicar o amor”. Nós, explica, “embora queiramos a vida e desejemos o amor, não gostamos de nos rebaixar. Sempre pensamos em termos de grandeza, mundanos: viver para nós corresponde ao movimento de tomar posse – nutrir é interpretado como englobar, fagocitar, não como receber e se transformar – de dominar, de prevalecer”. Em particular, “para nós, homens”, a autoafirmação “é uma questão de se elevar, não desdenhando até matar para ser reconhecido em seu próprio papel”. Jesus, por outro lado, lembra o cardeal, “quando fala de elevação, sempre faz alusão ao fato de ser elevado à cruz, ou seja, ao seu rebaixamento, porque é ali que resplende o amor, particularmente o amor de Deus pelo homem”.

Somos caminhantes, mas não estamos sozinhos

Jesus, conclui o cardeal Gambetti, “nos convida a permanecer nesse movimento de descida para sermos testemunhas de seu amor” entre os homens. Não é fácil. “Mas se realmente desejamos uma vida plena, ouçamos o convite de Jesus: levante-se, come e caminhe!… o caminho te será longo, somos sempre caminhantes, mas não estamos sozinhos”. O amor, a vida, são as últimas palavras da sua homilia, “são comunicados ao se rebaixar e não ao se impor. Para nós cristãos, não há outro tesouro mais precioso a ser guardado”.

*Com informações de Alessandro Di Bussolo, do Vaticano News.


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