Relação de Jair Bolsonaro com mensagens de Lawand divide CPMI do Golpe

A possível relação entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e as mensagens trocadas entre o tenente-coronel Mauro Cid, então ajudante de ordens da presidência da República, e o coronel do Exército da ativa Jean Lawand Júnior foi tema de debate na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos golpistas de 8 de janeiro. O coronel Lawand compareceu hoje à comissão para prestar depoimento.

Para os parlamentares que apoiavam o governo Bolsonaro, as mensagens entre os militares isentam o ex-presidente de qualquer responsabilidade. O deputado Aluísio Mendes (Republicanos-MA) opinou que o ex-presidente não demonstrou concordância com as tentativas do coronel Lawand de incentivar um golpe por parte das Forças Armadas.

“Em nenhum momento identificamos qualquer mensagem dele [Bolsonaro] ou qualquer sinalização dele que concordasse com o desejo do senhor [Lawand] de que as Forças Armadas agissem contra o resultado das eleições, nem do Alto-Comando do Exército Brasileiro. Isso fica claro”, argumentou o deputado maranhense.

Essa versão foi contestada pelo deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). O parlamentar afirmou que se o ex-presidente fosse contrário às tentativas do coronel Lawand, Mauro Cid teria rejeitado as investidas do militar e repudiado os pedidos para promover um possível golpe.

“Uma pessoa próxima ao Presidente [Mauro Cid] não rejeitou essa possibilidade. Aliás, depois ele vai dizer: ‘Passo a passo, tem coisa acontecendo’, ‘Estamos na luta’, ‘General Heleno esteve aqui’. Em nenhum momento, Mauro Cid rejeitou a ideia, dizendo: ‘Isso é um absurdo! Bolsonaro jamais cogitaria desrespeitar o resultado eleitoral!’. Estou vendo aqui indícios evidentes da consciência, ciência, participação e responsabilidade de Bolsonaro”, opinou o parlamentar.

A relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), afirmou que as provas encontradas no celular de Mauro Cid comprovam a participação de alguns militares em uma conspiração golpista, mas ressaltou que ainda é cedo para determinar a extensão dessa articulação contra o resultado das eleições.

“Considerando que as provas são contundentes, é claro que as pessoas ligadas ao ex-presidente já estão tentando eximi-lo de qualquer responsabilidade. No entanto, a CPI possui um critério de responsabilidade rigoroso. Neste momento, não podemos nem isentá-lo nem partir do pressuposto de culpa. As próximas informações que chegarão à comissão é que vão dizer”, afirmou a senadora.

Para avançar nas investigações, Eliziane defendeu que a CPMI aprove, na próxima semana, a quebra dos sigilos telefônicos e telemáticos do tenente-coronel Mauro Cid, do coronel Jean Lawand Júnior, do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal Jorge Eduardo Naime e de Anderson Torres, ex-secretário de segurança do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

*Com informações da Agência Brasil.


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