Com a decisão condenatória do TSE na semana passada, Jair Bolsonaro só poderá tentar uma corrida presidencial novamente quando estiver com 75 anos. Entretanto, analista chama atenção para força de seu entorno político e para os “herdeiros” que o bolsonarismo pode trazer nas próximas eleições.
Na sexta-feira (30/06/2023), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-presidente, Jair Bolsonaro, a ficar inelegível por oito anos. No julgamento, ex-chefe de Estado respondeu por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação do Estado.
No entanto, mesmo só podendo disputar uma corrida presidencial em 2030, o especialista brasileiro Danilo Silvestre, entrevistado pela Sputnik, chama atenção para o fato de que apesar da inelegibilidade, o grupo político que orbita o ex-presidente está muito vivo.
“A repercussão [da inelegibilidade] é muito importante, mas temos que olhar para algumas perspectivas. Ele está inelegível, mas seu grupo político é muito forte. Bolsonaro perdeu as eleições por uma diferença muito pequena, é uma pessoa que ainda tem muita força na política brasileira. Temos que analisar como que a direita vai se comportar depois dessa posição oficializada”, afirmou Silvestre.
Na visão do especialista, a direita brasileira classificará a condenação do ex-presidente como “perseguição política e conspiração” por parte do “Partido dos Trabalhadores e do ministro Alexandre de Moraes [do TSE]”. Ao mesmo tempo, Silvestre considera que a direita pode fazer um movimento para tentar eleger maior número de candidatos aliados ao bolsonarismo nas eleições municipais de 2024.
“Esse é um discurso [o da perseguição] que não sabemos como chegará à sociedade brasileira. […] É preciso ver também como que o PT, o governo, a esquerda, vão conseguir falar com essa parte da população, por exemplo os evangélicos, que apoiam Bolsonaro e podem interpretar a inelegibilidade como perseguição […].”
Silvestre também indica que o ex-presidente tem fortes “herdeiros” como seus filhos, os quais todos estão na vida política, e sua esposa, Michelle Bolsonaro.
“Seus filhos e sua esposa, Michelle, são possíveis herdeiros de seu eleitorado, assim como o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas. Mas tudo é muito recente para saber quem receberá todo o apoio político do ex-presidente”, diz o especialista.
De seus filhos, o que tem mais chance na visão de Silvestre é o deputado federal Eduardo Bolsonaro, visto que “não há nenhuma grande denúncia contra ele”.
Já Michelle tem o suporte do chefe do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, o qual já expressou publicamente suas expectativas para uma eleição da ex-primeira-dama. E Tarcísio foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, desenvolvendo uma governança em São Paulo mais afastada do governo federal.
De acordo com a Folha de São Paulo, com o presidente sem poder concorrer, aliados evangélicos começam a esboçar alternativas para a próxima eleição presidencial, e uma das chapas mais citadas incluiu Tarcísio como presidente e Michelle como vice.
Entretanto, Silvestre pondera que muita água ainda pode rolar e que é preciso esperar pelo o desenrolar de investigações que acontecem no entorno do ex-presidente.
“Temos que ver o que mais vai ocorrer nestes quatro anos até o pleito. Michelle Bolsonaro, por exemplo, recebeu depósitos em sua conta de um amigo de Bolsonaro, então não sabemos o que as investigações vão descobrir.”
A inelegibilidade também pode trazer um tom a mais para atual turbulência política do país. O especialista acredita que a defesa de Bolsonaro recorrerá no Supremo Tribunal Federal (STF) da decisão, mas que o STF vai manter a condenação e essa decisão vai causar revolta uma vez que Bolsonaro “passou todo seu governo dizendo que não podia confiar no Supremo”.
“É possível que isso gere uma reorganização desse grupo [da direita] e é possível que tenhamos manifestações um pouco mais violentas. Entretanto, creio que agora a democracia está um pouco mais sólida do que em 8 de janeiro e o governo do presidente Lula mais forte. Podemos ter sim manifestações de militares, de pessoas de ultradireita que defendem armamento, mas creio que não terão tanta força a ponto de tentar parar o país.”
Não é a primeira vez que um presidente fica inelegível no Brasil, assim como Bolsonaro, Fernando Collor de Mello e o próprio Lula já ficaram sem poder se eleger. No entanto, Silvestre destaca que “os contextos são distintos”, e no caso de Bolsonaro, ele foi condenado por “não cumprir as regras eleitorais do Brasil”.
“[…] possivelmente sua defesa [de Bolsonaro] pode tentar usar esse fato [da inelegibilidade] de outros ex-presidentes a seu favor […] assim como Lula utilizou o discurso da perseguição política em 2018, creio que Bolsonaro vá fazer a mesma coisa, buscar fatos que aconteceram com Lula e Collor para reverter a situação do ex-presidente”, analisa.
*Com informações da Sputnik.
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