Rússia mostrou paciência milagrosa, mas Ocidente fez de tudo para minar acordo de grãos, diz presidente Vladimir Putin

Vladimir Vladimirovitch Putin, presidente russo.
Vladimir Vladimirovitch Putin, presidente russo.

A Rússia demonstrou resistência e tolerância ao estender o acordo de grãos, mas o Ocidente fez de tudo para minar o acordo, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quarta-feira (19/07/2023).

“Este acordo foi concluído há exatamente um ano, em 22 de julho de 2022. E, essa negociação, bem, o chamado acordo, foi prorrogado mais de uma vez. A última vez foi em maio deste ano pelo período de até 17 de julho inclusive. Nós estendemos este acordo repetidamente e, ao estender, mostramos simplesmente resistência, paciência e tolerância milagrosas”, disse Putin em uma reunião do governo, acrescentando que o Ocidente fez de tudo para minar a iniciativa.

Putin também disse que a Rússia vê obstáculos mesmo quando quer doar fertilizantes para nações pobres.

“Das 262.000 toneladas de produtos bloqueados nos portos europeus, apenas dois lotes foram enviados”, disse o presidente.

Segundo o líder russo, o Ocidente minou a essência do acordo de grãos.

“Inicialmente, a essência, o significado do acordo de grãos tinha um sentido humanitário colossal. O Ocidente minou e prejudicou completamente essa essência. Em vez de ajudar os países necessitados, o Ocidente usou o acordo de grãos para chantagem política e, além disso, como eu disse, fez dele uma ferramenta para enriquecer as corporações transnacionais, especuladoras do mercado global de grãos”, disse Putin.

Para que o acordo fosse prorrogado mais uma vez, o Kremlin havia solicitado ao Ocidente o atendimento de algumas demandas que têm sido ignoradas desde o início das tratativas.

“Todos os obstáculos para bancos russos, instituições financeiras que fornecem alimentos e fertilizantes devem ser removidos. Isso inclui sua conexão imediata com o sistema de liquidação interbancária internacional SWIFT. O que precisamos não é de algumas promessas ou ideias sobre esse assunto. Precisamos de implementação dessas condições”, disse Putin em uma reunião do governo.

O presidente acrescentou que a Rússia está pronta para considerar o retorno ao acordo de grãos se todas as obrigações relativas a Moscou forem implementadas.

“Quero enfatizar que não somos contra o acordo em si, como tal. Especialmente devido à sua importância para o mercado global de alimentos […]. E, claro, consideraremos a possibilidade de retornar a ele, mas apenas com uma condição — se […] todos os princípios previamente elencados para a participação da Rússia neste acordo forem implementados sem exceções”, disse Putin.

De acordo com o presidente russo, as perdas dos produtores russos de fertilizantes devido ao aumento no custo de afretamento de navios e acordos financeiros são estimadas em US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 7,6 bilhões).

O porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric, afirmou nesta quarta-feira que a ONU continua comprometida em facilitar as exportações russas e ucranianas de grãos e fertilizantes, mesmo que o acordo de grãos do mar Negro tenha expirado.

“Com ou sem os 90 dias, nosso compromisso com os objetivos da Iniciativa [de Grãos] do Mar Negro e do Memorando de Entendimento [com a Rússia] continua inabalável”, disse Dujarric em um briefing.

Segundo o pota-voz, até segunda-feira (17), a ONU cumpriu “escrupulosamente” suas obrigações sob o memorando com a Rússia, disse Dujarric.

*Com informações da Sputnik.


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