Em um dia marcado por turbulências nos mercados financeiros ao redor do mundo, a bolsa de valores brasileira enfrentou um duro golpe, registrando sua décima queda consecutiva e marcando a maior sequência de baixas em 39 anos. O índice Ibovespa, da B3, fechou a segunda-feira (14/08/2023) em 116.810 pontos, com um declínio de 1,06%. Esta marca de quedas consecutivas não era atingida desde a crise da dívida externa brasileira, em fevereiro de 1984. Enquanto isso, o dólar comercial alcançou um valor próximo a R$ 5, atingindo seu nível mais alto em dois meses.
As tensões nos mercados externos foram sentidas em todo o globo, com vários fatores negativos contribuindo para a pressão sobre os países emergentes. A notícia de que a Country Garden, uma das maiores incorporadoras chinesas, atrasaria o pagamento de um título, reacendeu as preocupações em relação à segunda maior economia do mundo. A China, que é uma das maiores compradoras globais de commodities, exerce uma influência significativa nos mercados internacionais, e episódios de insegurança em sua economia têm um efeito cascata em todo o sistema financeiro global. A crise desencadeada pelo calote da incorporadora Evergrande em 2021 ainda estava fresca na memória dos investidores internacionais.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, os juros dos títulos de dez anos do Tesouro norte-americano atingiram níveis não vistos desde novembro, tornando esses investimentos considerados seguros ainda mais atrativos. Isso resultou em uma atração de capitais para os Estados Unidos, o que por sua vez pressionou o dólar a níveis mais elevados em todo o mundo. A divulgação recente de que a inflação ao produtor nos Estados Unidos acelerou em julho também aumentou a incerteza entre os investidores.
A América Latina também não escapou das turbulências financeiras. Vários países da região, incluindo o Brasil, foram afetados pelo resultado das votações primárias para as próximas eleições na Argentina. A liderança do candidato de extrema-direita, Javier Milei, desencadeou uma fuga de capitais do país vizinho, levando o Banco Central argentino a desvalorizar o peso em 18% e a elevar os juros básicos de 97% para 118% ao ano. Essa crise se estendeu por todo o continente, afetando mercados em vários países latino-americanos.
Nesse contexto, o mercado brasileiro tem enfrentado desafios significativos. O Ibovespa acumula uma queda de 4,21% em agosto, embora ainda mantenha um ganho de 6,45% ao longo do ano. O dólar comercial fechou a segunda-feira em R$ 4,966, representando um aumento de R$ 0,062 (+1,25%) e atingindo seu nível mais alto desde junho.
Enquanto os especialistas monitoram esses desenvolvimentos com atenção, os investidores estão buscando formas de se proteger contra a volatilidade do mercado e as incertezas em curso.
*Com informações da Agência Reuters.
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