Após terremoto, amianto ameaça a Turquia

Na província de Hatay, no sul da Turquia, a paisagem pós-terremoto é de destruição e esperança misturadas. As equipes de operários continuam a demolir os prédios severamente danificados pelo terremoto que atingiu a cidade em 6 de fevereiro de 2023, um sismo de magnitude 7,8 na escala Richter que causou mais de 50 mil mortes na Turquia e na vizinha Síria, além do desabamento de milhares de construções.

As escavadeiras movem pilhas de entulho, criando nuvens de poeira que encobrem a cidade, enquanto algumas crianças corajosas brincam entre os escombros. No entanto, um perigo invisível paira no ar: o amianto.

Após o terremoto, o amianto, um material tóxico presente em muitas dessas construções antigas, espalhou-se na vegetação e no solo da região. Uma investigação exclusiva das editorias de Turquia e Meio Ambiente da DW revelou que isso preparou o terreno para uma séria crise de saúde pública.

Especialistas da Câmara Turca de Engenheiros Ambientais coletaram amostras de poeira em Hatay, que foram posteriormente analisadas em laboratório. A investigação confirmou a presença de amianto na região, apesar das negativas das autoridades locais.

Profissionais de saúde pública alertam que as pessoas que vivem na área afetada pelo terremoto, incluindo milhares de crianças, estão em sério risco de desenvolver câncer de pulmão e laringe devido à exposição ao amianto, que também aumenta a probabilidade de mesotelioma, um tipo de câncer particularmente agressivo.

“Nos próximos anos, poderemos testemunhar a morte de dezenas de milhares de pessoas muito jovens devido a casos de mesotelioma”, alertou Özkan Kaan Karadag, médico e especialista em saúde pública e ocupacional, após ver os resultados iniciais da análise laboratorial da DW.

A situação é agravada pela demolição contínua de edifícios danificados e remoção de escombros, muitas vezes realizada sem o uso de máscaras ou equipamentos de proteção adequados. Além disso, práticas inadequadas de descarte de resíduos aumentam a exposição à poeira contaminada por amianto.

Organizações, como a União das Câmaras de Engenheiros e Arquitetos Turcos, têm alertado sobre os riscos à saúde pública associados às práticas de demolição após o terremoto, mas suas preocupações parecem ter sido ignoradas pelas autoridades.

Mehmet Emin Birpinar, vice-ministro turco do Meio Ambiente, Urbanização e Mudanças Climáticas, havia assegurado em suas redes sociais que não havia amianto no ar. No entanto, a análise da DW contradiz essas afirmações oficiais, revelando a presença de amianto em Hatay.

O amianto, uma vez amplamente usado em construções, foi classificado como uma substância cancerígena pela Organização Mundial da Saúde após seus riscos à saúde terem sido amplamente reconhecidos a partir da década de 1970. Apesar de sua proibição em 2010 na Turquia, muitos edifícios ainda contêm esse material, que, quando quebrado, pode se tornar um risco à saúde pública.

Os efeitos do amianto podem levar décadas para se manifestar, mas a poeira já está afetando a saúde das pessoas na região. Crianças correm um risco substancial, e os casos de doenças relacionadas ao amianto estão aumentando, causando preocupação e desafios adicionais para as comunidades já impactadas pelo terrível terremoto.

*Com informações da DW.


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