A imprensa francesa desta quarta-feira (13/09/2023) destaca a iminente reconfiguração da economia global, com foco na desaceleração econômica alemã que está moldando uma nova dinâmica no cenário mundial. A União Europeia, em particular, sente os impactos dessa desaceleração econômica alemã.
De acordo com o jornal Le Figaro, a “locomotiva tradicional da Europa enfrenta problemas”. O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha deverá encolher 0,4% em 2023, marcando o pior desempenho entre as nações do G7, grupo composto pelos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que, nos próximos cinco anos, o crescimento da Alemanha provavelmente será superado pelo dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Espanha. O jornal observa que a maioria dos indicadores econômicos alemães está em queda, incluindo a produção industrial, o consumo, os investimentos, as exportações e a confiança empresarial. Essa situação é atribuída a uma combinação de fatores cíclicos de desaceleração, como a desaceleração do comércio global, a pressão inflacionária, as altas taxas de juros e fragilidades estruturais no país.
A Alemanha está enfrentando as consequências de “erros de política econômica, uma política energética equivocada, um modelo industrial excessivamente voltado para a China, dependência do setor automobilístico e falta de matéria-prima”, entre outros fatores.
Enquanto isso, a França, que já foi chamada de “doente da Europa” em certos momentos, apresenta um desempenho econômico mais sólido. Recentemente, a revista The Economist questionou se não seria a Alemanha a enferma da Europa, ressalta a matéria.
Reconfiguração da Economia Global
O jornal econômico Les Echos aprofunda a análise, afirmando que “a economia global está rumando para uma grande reconfiguração”. As tensões geopolíticas e o conflito na Ucrânia estão impulsionando mudanças profundas nas cadeias de valor globais. Os modelos de crescimento econômico da década de 1980 também estão sendo questionados.
Esse novo paradigma considera a determinação dos países industrializados em reduzir sua dependência das cadeias globais de suprimentos, especialmente em relação a produtos estratégicos. No atual cenário de crescentes tensões geopolíticas, as nações avançadas buscam segurança e estão priorizando modelos de crescimento baseados na inovação.
O Les Echos também avalia a situação na Rússia, destacando que a economia russa foi afetada pela guerra na Ucrânia, mas ainda está longe do colapso. As empresas russas estão se adaptando às circunstâncias, e o crescimento econômico é impulsionado principalmente pelas indústrias militares, embora não haja desenvolvimento significativo, informa o jornal.
Por fim, a reconfiguração da economia global está criando novos desafios e oportunidades para as nações, à medida que buscam se adaptar a um cenário econômico em constante evolução.
*Com informações da RFI.











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