O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fez um chamado à Petrobras para avaliar a recompra da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), localizada na Bahia. A refinaria foi vendida em 2021 por US$ 1,65 bilhão para a multinacional Acelen, uma empresa do fundo de investimentos Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos.
A declaração de Silveira ocorreu durante um momento crucial para a política energética e de petróleo e gás do Brasil, destacando a importância estratégica da Rlam para o país. O ministro enfatizou que, à luz das preocupações com a segurança energética e da nova geopolítica do setor, a recompra da refinaria pela Petrobras deveria ser avaliada.
“Entendemos, do ponto de vista da segurança energética e da nova geopolítica do setor de petróleo e gás, respeitadas as regras de governança da companhia, que a Petrobras deve avaliar recomprar a Rlam. É um ativo histórico e que fez parte da estratégia de desmonte do Sistema Petrobras e nunca deveria ter sido vendido”, afirmou Silveira.
Uma das principais preocupações do ministro é o impacto sobre os moradores da Bahia e de Sergipe, que são atendidos pela refinaria. Segundo ele, essas regiões não têm se beneficiado da nova política de preços da Petrobras, o chamado PCI (Preço de Competitividade Interna), adotado em maio, e continuam a ter seus combustíveis precificados com base no PPI (Preço de Paridade de Importação).
“O povo baiano e sergipano tem pago preços de combustíveis mais caros do que em regiões de influência das refinarias cujo controle é da Petrobras”, enfatizou o ministro.
Por outro lado, Silveira demonstrou apoio a uma possível parceria entre a Petrobras e a Acelen para um projeto de biorrefino do óleo de macaúba, uma espécie de coco nativo do Brasil. A expectativa é produzir 1 bilhão de litros por ano, o que possibilitaria a fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde.
A Acelen já anunciou um investimento significativo de R$ 12 bilhões nos próximos 10 anos para impulsionar esse projeto. Para o ministro Silveira, essa iniciativa não só contribuirá para a redução das desigualdades regionais, mas também apoiará os pequenos agricultores e a agricultura familiar em áreas do semiárido, como os estados do Nordeste e zonas produtoras em Minas Gerais.
A recompra da Rlam e o desenvolvimento do projeto de biorrefino de óleo de macaúba são medidas que visam a equilibrar interesses econômicos com o bem-estar dos cidadãos e a segurança energética do país. A discussão sobre essas questões continuará a ser um ponto central nas futuras políticas energéticas do Brasil.
*Com informações do Poder360.
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