A cabo da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Marcela da Silva Morais Pinno, prestou um depoimento chocante à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre os eventos de 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram as sedes dos três Poderes em Brasília. Em seu testemunho, a policial descreveu a “tamanha agressividade” dos invasores e como foi agredida durante os enfrentamentos.
Marcela Pinno, que integrou o pelotão Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) Alfa, composto por 20 policiais, detalhou os eventos daquele dia fatídico. Segundo ela, o pelotão seguiu ordens do comandante da tropa, tenente Marcos Teixeira, e se dirigiu à cúpula do Congresso Nacional. Quando chegaram lá, os extremistas já haviam rompido as grades de proteção. Foi nesse momento que começaram os confrontos com a Polícia Militar.
A policial relatou que foi atacada com barras de ferro, arrastada pelo escudo, agredida com socos, pedradas e chutes. Ela explicou que os manifestantes usaram objetos improvisados, como grades de proteção e estacas de pau, para agredi-los. Marcela Pinno chegou a cair de uma altura de três metros, mas conseguiu retornar ao combate.
Quando questionada sobre se os manifestantes demonstravam algum conhecimento militar, a policial não pôde afirmar, mas ressaltou que eles estavam organizados e equipados com luvas, máscaras, toalhas e lenços no rosto. Ela mencionou a utilização de granadas a altas temperaturas, que causariam queimaduras graves se fossem lançadas em mãos desprotegidas.
A cabo da PMDF também afirmou que não teve acesso a nenhum plano ou relatório de ação elaborado pelos órgãos de segurança pública como soldado-escudo. Ela destacou a violência imposta contra os policiais e a intenção dos agressores de atentar contra suas vidas.
Marcela Pinno foi saudada como heroína pela CPMI do 8 de Janeiro e promovida a cabo após seu ato de bravura. Ela explicou que se o efetivo do Batalhão de Choque, que tinha cerca de 300 policiais e estava de sobreaviso naquele dia, tivesse se empenhado, o ataque poderia ter sido evitado.
Omissão da Força Nacional e investigações em andamento
Durante o depoimento, foi levantada a questão da omissão da Força Nacional de Segurança, que não foi acionada para auxiliar no controle da situação. Parlamentares da oposição defendem que as investigações se concentrem em identificar possíveis financiadores e incitadores dos atos golpistas, citando relatórios do Facebook e processos no Supremo Tribunal Federal que apontam para o estímulo de discursos de ódio com o objetivo de enfraquecer as instituições democráticas.
A policial também foi questionada sobre a presença de membros da Força Nacional durante as invasões, e ela explicou que eles só foram vistos no final da contenção.
Enquanto a base governista argumenta que o depoimento da policial contradiz a narrativa de que a manifestação teria sido pacífica, a oposição reforça a acusação de omissão por parte da Força Nacional de Segurança.
A CPMI continuará a investigar os eventos de 8 de janeiro, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias e responsabilidades dos envolvidos.
*Com informações da Agência Senado.
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