Em 2024, um marco demográfico significativo se desenha no horizonte europeu, quando a população com mais de 65 anos ultrapassará a de menores de 15 anos. Essa inversão nas faixas etárias traz consigo desafios sociais, econômicos e de saúde que requerem atenção urgente, de acordo com um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A nova realidade, que será uma realidade em breve, apresenta uma série de implicações, desde demandas de cuidados de saúde até questões de previdência social. A resposta, segundo a OMS, reside na adoção de hábitos saudáveis para mitigar o impacto do envelhecimento da população.
O relatório, intitulado “Promover a atividade física e dietas saudáveis para um envelhecimento saudável na Região Europeia da OMS”, destaca a importância da prática de dietas saudáveis e da atividade física como fatores-chave para garantir que a população idosa desfrute de uma vida mais saudável e ativa.
Portugal surge como um exemplo positivo, promovendo a saúde dos idosos por meio de iniciativas inovadoras, como o Projeto “Atividade para Envelhecimento Saudável”, que incentiva a boa forma em pessoas com idades entre 55 e 65 anos. Os participantes são envolvidos em exercícios regulares, supervisionados e estruturados ao longo de seis semanas, visando combater o sedentarismo.
Um dos desafios destacados é o nível de sedentarismo entre os idosos portugueses, com cerca de 29% levando um estilo de vida sedentário, caracterizado por mais de nove horas de inatividade física. Isso está associado a um aumento da depressão, limitações físicas, menor apoio social, perda de memória e uma percepção negativa da qualidade de vida.
Para medir o sedentarismo, o relatório menciona uma ferramenta digital que avalia a atividade física semanal, incluindo minutos de prática moderada e horas diárias de inatividade. Além disso, o sistema de informação clínico “Cuidados de Saúde Primários” é utilizado em toda a rede de 1,3 mil locais de atenção básica para rastrear sinais vitais e apoiar o histórico de consultas com profissionais de saúde.
A OMS enfatiza que a chave para um envelhecimento saudável está na atividade física e na qualidade da dieta. Estes hábitos podem ajudar a prevenir uma série de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, demência e problemas de saúde mental. A organização incentiva práticas que promovam a longevidade, enfatizando a importância de dietas ricas em frutas e vegetais, menos processadas e com baixo teor de açúcar, sal e gorduras saturadas, semelhante à dieta mediterrânea.
Recomenda-se que os idosos busquem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, o que pode reduzir em 28% o risco de mortalidade por todas as causas, melhorar o equilíbrio, a mobilidade e reduzir a perda de massa muscular e densidade óssea. Para aqueles da terceira idade que buscam uma vida ainda mais longa e saudável, níveis mais elevados de atividade física podem reduzir o risco de mortalidade por todas as causas em 35%.
O relatório da OMS enfatiza a importância de estabelecer políticas que aumentem a expectativa de vida saudável e destaca a responsabilidade das autoridades na preparação para a mudança demográfica. Entre as ações recomendadas estão sistemas de vigilância da saúde mais unificados, maior interação social e programas comunitários.
*Com informações da ONU News.










Deixe um comentário