FAO faz alerta contra ‘Gentrificação Verde’ e elogia o Brasil por inclusão de espaços

Um recente relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destaca a importância dos espaços verdes urbanos para a qualidade de vida, mas ressalta que esses benefícios não estão ao alcance de todos, alertando contra o fenômeno da “gentrificação verde”. O documento, intitulado “Florestas Urbanas: uma Perspectiva Global”, foi lançado durante o 2º Fórum Mundial sobre Florestas Urbanas, em Washington, EUA.

A “gentrificação verde” refere-se ao processo em que o acesso aos espaços verdes é frequentemente direcionado para os bairros mais ricos, excluindo aqueles que não têm meios financeiros para viver perto dessas áreas. Isso pode levar à expulsão de residentes de comunidades mais pobres das áreas verdes urbanas.

O relatório elogia a cidade brasileira de Maringá, no estado do Paraná, como um exemplo positivo. Lá, árvores estão sendo plantadas nas regiões menos privilegiadas da periferia para melhorar a qualidade do ar e oferecer sombra durante os verões tropicais.

Além do Brasil, o relatório destaca outros países de língua portuguesa, como Angola, que plantou quase 3 mil árvores em áreas urbanas nos últimos anos, e Moçambique, que relatou o plantio de 55 mil árvores entre 2018 e 2020.

Os benefícios dos espaços verdes são diversos, incluindo a redução do ruído, a filtragem de poluentes, impactos positivos na saúde física e mental, absorção de carbono e redução do calor urbano. Com a expectativa de que dois terços da população mundial viverão em áreas urbanas até 2050, a FAO enfatiza a importância de garantir que todos, independentemente de sua situação socioeconômica, tenham acesso a esses benefícios.

Mais de mil especialistas se reuniram no 2º Fórum Mundial sobre Florestas Urbanas, com o tema “Cidades mais verdes, mais saudáveis e mais felizes para todos”, para discutir pesquisas e abordagens inovadoras na silvicultura urbana e seu impacto na desigualdade social. O objetivo do evento é criar um plano que promova uma ecologia urbana mais equitativa, com recomendações para as autoridades locais combaterem a desigualdade no acesso aos espaços verdes urbanos e às árvores, desenvolvendo soluções inclusivas.


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