Histórico Sínodo dos Bispos inicia com voto feminino e temas cruciais em debate

O Papa Francisco, que convocou o sínodo, enfatiza a consulta aos católicos antes de tomar decisões significativas. (Foto: Reuters)
O Papa Francisco, que convocou o sínodo, enfatiza a consulta aos católicos antes de tomar decisões significativas. (Foto: Reuters)

A 16ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos da Igreja Católica teve início nesta quarta-feira (04/10/2023) no Vaticano, marcando um evento histórico com a participação de 464 membros, dos quais 365 terão direito a voto no relatório final, incluindo o Papa Francisco. Dessa vez, 81 mulheres participam dos debates, com 54 delas com direito a voto. Esse sínodo é notável por ser o primeiro na história a permitir o voto feminino.

O Sínodo dos Bispos é uma reunião que aborda questões cruciais para o futuro da Igreja Católica. Entre os tópicos em discussão estão o aumento da participação das mulheres na liderança da Igreja, a possibilidade de mulheres tornarem-se diáconos, a comunhão para divorciados que se casaram novamente e a ordenação de homens casados. Também estão em pauta medidas para prevenir abusos sexuais cometidos pelo clero e a inclusão de grupos marginalizados, incluindo pessoas LGBTQIA+. Além dos bispos, cardeais e membros leigos também participam da conferência.

O Papa Francisco convocou este sínodo quase dois anos atrás, buscando ouvir a opinião dos fiéis de todo o mundo. Até o final de outubro, a assembleia discutirá as prioridades apresentadas pelos católicos. Posteriormente, os participantes votarão, mas a decisão final será tomada pelo pontífice, que comunicará as diretrizes no documento chamado Exortação Apostólica após alguns meses. O Papa Francisco se destaca de outros líderes da Igreja por sua prática de consultar os católicos antes de tomar decisões significativas.

O clima no Vaticano já estava agitado antes do início do evento. Há alguns meses, cinco cardeais ultraconservadores aposentados, que não fazem parte da assembleia, enviaram uma carta ao papa listando várias preocupações. Publicamente, eles expressaram sua “profunda preocupação” com temas como a possibilidade de abençoar casais homossexuais e a perspectiva de mulheres serem ordenadas como sacerdotes. Essa carta foi assinada pelos cardeais Walter Brandmuller (Alemanha), Raymond Leo Burke (Estados Unidos), Juan Sandoval Iniguez (México), Robert Sarah (Guiné) e Joseph Zen (China).

Em resposta, o Papa Francisco afirmou que é possível abençoar casais homossexuais em algumas circunstâncias, mas reafirmou que o casamento é exclusivamente entre um homem e uma mulher. Ele enfatizou a importância de não serem apenas “juízes que negam, rejeitam e excluem”.

No entanto, os cardeais conservadores consideraram as respostas insuficientes e enviaram uma segunda carta ao pontífice, na qual pediram respostas claras e diretas a perguntas específicas, como se a Igreja pode ensinar doutrinas contrárias às anteriores em questões de fé e moral. A carta também perguntava se era possível abençoar uniões entre pessoas homossexuais e se a Igreja poderia no futuro ordenar mulheres como sacerdotes.

A Alemanha tem uma das conferências episcopais mais progressistas do mundo, tendo demonstrado abertura a mudanças em questões como o sacerdócio feminino, o celibato clerical e a bênção de casais homossexuais durante seu próprio sínodo realizado até março deste ano.

O Papa Francisco buscará apoio para suas propostas progressistas durante a assembleia, que se estenderá até o final de outubro.

*Com informações da RFI.


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